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A crise do futebol argentino bate na seleção

por  Isabel Fuchs em Opinião
  • O risco de uma das maiores seleções ficar de fora de uma Copa pode ser o reflexo dos problemas que assolam a AFA

    Destaque A crise do futebol argentino bate na seleção Reprodução/Twitter
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    A Argentina segue na zona de repescagem das classificatórias para a Copa do Mundo, na Rússia em 2018. A seleção argentina só não se classificou para o mundial em duas ocasiões, suas outras ausências foram resultado de decisões políticas da AFA.

    O risco de uma das maiores seleções ficar de fora de uma Copa pode ser o reflexo da grande crise que assola o futebol argentino.

    Os jogadores da Argentina já protagonizaram greves e muitos protestos por conta da lamentável situação do futebol nacional. A AFA afunda em uma crise financeira gigantesca, a ponto de ter deixado o técnico da equipe sem salário durante a última Copa América.

    Além disso, Messi já ameaçou não jogar mais pelo selecionado nacional, o que faria com que a receita da Federação caísse ainda mais.

    A situação da seleção nacional é, com certeza, reflexo de todos os problemas que a AFA vem enfrentando. O futebol na Argentina está a beira de um abismo, a situação está ainda longe de um desfecho positivo.

    A situação também escancara que não basta apenas ter um dos melhores jogadores do mundo, já que o rendimento dentro de campo parece não ser o único elemento capaz de influenciar os resultados.

    O curioso caso da AFA é também emblemático, serve para mostrar que o futebol também sofre interferências políticas, ao contrário do que muitos tentam mostrar. A crise não é apenas financeira, mas tem um fundo nas questões de gestão do futebol argentino.

    Um novo modelo de gestão estava sendo discutido e pensado no país, por mais que ocorra a passos muito lentos e sem muita firmeza.

    Apesar de movimentar milhões no mercado, o futebol na América Latina é ainda bastante diferente do na Europa. Exportamos muitos jogadores, mas nossos campeonatos nacionais muitas vezes são secundarizados, sofrem com uma gerência incompetente, que visa somente servir de fato como laboratório de formação e exportação de atletas.

    O resultado dessa lógica começa a aparecer, com a crise da seleção brasileira em 2014 e, agora, com a seleção argentina. Não basta que tenhamos inúmeros talentos, se o esporte não for gerido com o cuidado e com o objetivo de desenvolver a modalidade, os resultados serão nefastos.

    É preciso que o que ocorre hoje com o futebol argentino sirva de alerta para os clubes, atletas e confederações, precisamos evitar percorrer o mesmo caminho de nossos hermanos.

    O fair play financeiro é ainda muito insuficiente para suprir as necessidades do futebol e acaba por não resolver completamente o problema. E, mesmo com suas limitações, não é aplicado com consequência.

    Podemos ver a Argentina fora de um mundial, que irá também deixar de fora um dos melhores jogadores do planeta. A Copa do Mundo e o espetáculo do esporte também perdem, caso se confirme uma ausência da Argentina.

    A crise do futebol, seus problemas mais profundos, que tem um pano de fundo político e econômico, entra dentro de campo, atuando como um décimo segundo jogador e, obviamente, joga contra o próprio esporte.

    Não ter a Argentina, deixando de lado nossa histórica rivalidade, é uma derrota para o futebol mundial.

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