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Mais uma vez o futebol feminino em desespero

por  Isabel Fuchs em Opinião
  • Segundo pesquisa realizada pela Fifpro mais da metade das jogadoras não recebe nenhum salário de seus clubes

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    A Fifpro, Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol, realizou um estudo com cerca de 3.300 jogadoras de futebol feminino e trouxe dados bastante assustadores sobre a profissionalização do futebol feminino a nível mundial. Segundo a pesquisa realizada mais da metade das jogadoras não recebe nenhum salário de seus clubes.

    O dado traz um diagnóstico importante sobre a modalidade, demonstrando que, em todo o mundo, as jogadoras estão muito longe da igualdade com os jogadores. O futebol feminino, portanto, está muito longe de ser profissional, tanto que boa parte das jogadoras que representam suas seleções nacionais também não recebe nenhum salário, segundo o estudo. É bastante preocupante que nem as melhores jogadoras do mundo, que representam seus países, estão asseguradas financeiramente para conseguirem se desenvolver em suas carreiras.

    A calamitosa situação das futebolistas profissionais ao redor do mundo deveria acender um sinal de alerta à FIFA e as principais federações internacionais, para que se atentem ao desenvolvimento da modalidade, porém mesmo com diferentes órgãos criados pela principal entidade gestora do futebol a nível mundial, o futebol feminino não conseguiu ainda se estabilizar como uma modalidade profissional.

    As diferenças entre o futebol masculino e feminino não poderiam ser mais gigantescas. Na Copa do Canadá jogos permitidos em grama sintética, algo que seria impensável de ser permitido na Copa masculina, no Brasil campos esburacados onde a maioria das jogadoras brasileiras treina, é a falta de regularidade de competições femininas, ligas nacionais que não funcionam, campeonatos estaduais que sequer são cogitados, campeonatos de categoria de base inexistentes e então as diferenças salariais dos selecionados nacionais.

    O recado parece evidente: mulheres, não joguem futebol. Quando não nos dispõe das mínimas condições necessárias para jogar, é isso que dizem as principais entidades gestoras do futebol. Porém as mulheres, todos os dias que não abandonam suas carreiras, resistem bravamente contra esse recado machista. A situação é grave, faz com que diversas jogadoras abandonem suas carreiras precocemente, jogadoras brilhantes que, se fossem homens, seriam reverenciadas internacionalmente. Porém, são mulheres e isso parece querer dizer tudo no futebol.

    É preciso agora que esse estudo tenha uma serventia prática, esses dados precisam fazer com que a FIFA seja mais rigorosa com as federações nacionais e que imponha a profissionalização do futebol feminino. As campanhas contra a desigualdade precisam sair do papel, o futebol feminino precisa urgentemente ser profissionalizado, fiscalizado e desenvolvido. Não há nenhum argumento na atualidade que sustente essa negligência da FIFA e das demais federações nacionais com o desenvolvimento do futebol feminino.

    O machismo, principal responsável por não fazer desenvolver a modalidade, aniquila sonhos e carreiras de jogadoras brilhantes cotidianamente no futebol. O momento de alguém tomar em mãos a responsabilidade de minar a desigualdade no futebol passou há tempos, o atraso é incalculável e a permissividade da FIFA é imperdoável.

    Escrever sobre o futebol feminino é um ato de repetição, a realidade não muda, portanto as reivindicações são as mesmas há tempos, as cenas de choro e lamentação, de pedidos de desespero das atletas se repetem constantemente também, as tentativas de mediações parecem ter se esgotado, talvez seja a hora de radicalizar nos métodos para que as reivindicações das mulheres do futebol sejam atendidas.

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