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Os problemas do Palmeiras

por  Isabel Fuchs em Opinião
  • Os resultados insatisfatórios na temporada vão aumentando e a diretoria alviverde ainda não entendeu que atrapalha ao tentar influenciar o trabalho de Cuca dentro de campo

    Destaque Os problemas do Palmeiras Cesar Greco/Ag. Palmeiras
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    Parece que os problemas do Palmeiras, diferente do que alguns acreditavam com a volta de Cuca, estão muito longe de acabar. A eliminação para o Cruzeiro, na última semana, pela Copa do Brasil, é apenas a ponta do iceberg dos problemas do clube palmeirense. Os principais problemas enfrentados pelo clube me parecem estar longe das quatro linhas, como os bastidores da eliminação demonstram.

    Está ainda muito viva na memória a lembrança da coletiva de Eduardo Batista, quando este esbravejava com os jornalistas e, curiosamente, saía em defesa de Felipe Melo. Agora sob o comando de Cuca o volante tem amargado a reserva e parece não estar contente com isso. Ontem a noite foi anunciada, pela imprensa, a saída do jogador da equipe do Palmeiras, mas ainda nada neste sentido foi confirmado.

    Cuca afastou Felipe Melo do último jogo contra o Avaí, pois segundo o técnico o volante estava tumultuando o ambiente do elenco. Os esforços de Alexandre Mattos são no sentido de manter Felipe na equipe, mesmo com claras evidências por parte de Cuca de que o atleta não se encaixa taticamente no elenco e também não se encaixa com suas atitudes controversas, como a briga registrada com o preparador físico da equipe.

    Mas o que a saída de Eduardo Batista e a saída de Felipe Melo podem ter em comum? Bem, todos se lembram quando Kfouri afirmou em sua coluna que, segundo suas fontes obviamente confidenciais, Eduardo Batista havia aceitado mudar a escalação do time por pressão da diretoria, mais especificamente de Alexandre Mattos. Ao final do jogo de eliminação do Palmeiras, Carlos Degon, outro membro da diretoria, foi ouvido exigindo que Felipe Melo fosse colocado em campo para jogar.

    As duas situações estão expondo as fragilidades do clube e, principalmente, estão expondo quem de fato comanda a equipe dentro das quatro linhas. A diretoria não deveria interferir nas decisões dos técnicos, mas isso aconteceu com Eduardo Batista e parece estar acontecendo com Cuca. A diferença é que, até certo ponto, Eduardo cedeu e Cuca, por enquanto, parece estar querendo enfrentar as pressões da diretoria.

    É possível supor que a saída de Eduardo tenha relação exatamente com os problemas enfrentados pelo técnico com a diretoria do clube, que parece interferir demais nas questões específicas do time.

    Essa postura dos membros da diretoria palmeirense é absolutamente inaceitável. O papel dos dirigentes não é montar esquema tático e escalar equipe, caso fosse assim poderiam demitir o Cuca e colocar Alexandre Mattos dentro do vestiário. É evidente que este tipo de postura pode estar sendo responsável pelos resultados do time alviverde.

    No início do ano todas as atenções estavam voltadas ao Palmeiras, que tem o elenco mais caro do Brasil, mas que não tem conseguido até agora fazer com que o time se saia bem dentro das quatro linhas.

    O clima tumultuado pode piorar, algumas manifestações das organizadas do Palmeiras estavam sendo marcadas, contra a saída de Felipe Melo da equipe. É muito curioso que as torcidas se manifestem pela permanência de um jogador que quase não tem tempo de casa e, mais que isso, não tem uma performance dentro de campo que seja tão inquestionável ao ponto de gerar tamanha revolta por um afastamento de um jogo.

    Para aqueles que conhecem as relações entre diretorias de clubes e torcidas organizadas a única hipótese plausível é de que estas manifestações estão sendo encomendadas por parte da diretoria do clube alviverde, que lançará mão de qualquer ferramenta que esteja ao alcance para decidir os onze titulares da equipe.

    Relatos de situações como essas são bem comuns, basta lembrar de alguns casos de invasão da torcida organizada do Corinthians no CT do clube, para pressionar os atletas, que teve uma evidente facilitação de sua entrada por parte do conselho dirigente do clube, que abriu os portões do CT para os torcedores entrarem.

    Essas relações escusas travadas entre diretorias e organizadas, em nome de garantir privilégios para os dois lados, não é saudável para o futebol e prejudica bastante a relação entre torcida, time e diretoria.

    Se de fato o que está acontecendo no Palmeiras é em razão da falta de limites da diretoria, que quer interferir nas questões dentro de campo, o time vai demorar bastante tempo ainda para se estabilizar e apresentar resultados satisfatórios. O Conselho Deliberativo do Palmeiras, que já passou por algumas crises relacionadas às tentativas de eleição da Leila, da CREFISA, parece de fato ter um objetivo que não é somente fazer do Palmeiras um clube vencedor.

    Os conselheiros e dirigentes querem, a qualquer custo, demonstrar o poder que tem dentro do clube. Essas atitudes podem ser nefastas ao time e recolocar velhos problemas no caminho do Palmeiras, problemas parecidos com aqueles que o time enfrentou na era de Mustafá Contursi.

    Alexandre Mattos e a diretoria do Palmeiras precisam parar de interferir nas decisões dos técnicos e entender que quem entende de tática e quem escala o time é o técnico. Querer mandar demais vai fazer o Palmeiras voltar a um caminho de derrotas.

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