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Manutenção de treinador não é garantia de sucesso

por   em Editorial
  • Passagem de Zé Ricardo pelo Flamengo mostra que apenas insistência no trabalho de um técnico não basta para levar um clube aos bons resultados esportivos

    Destaque Saída de Zé Ricardo foi comemorada por parte da torcida Divulgação / Flamengo Saída de Zé Ricardo foi comemorada por parte da torcida
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    O técnico Zé Ricardo não resistiu à derrota por 2 a 0 para o Vitória na Ilha do Urubu e foi demitido do Flamengo. O confronto da manhã do último domingo era tido como o ideal para a retomada de rumo do clube da Gávea. Em casa, o Rubro-negro enfrentaria um dos últimos colocados do Campeonato Brasileiro: oportunidade perfeita para espantar a "crise" pela falta de resultados positivos das últimas semanas.

    O que se viu em campo foi diferente. Apesar de ceder aos apelos dos torcedores tirando Márcio Araújo da equipe, o comandante deixou o Fla muito exposto, e o time foi superado pelo Leão. Curiosamente, Willian Arão, substituto do contestado volante no jogo contra os baianos, falhou no primeiro gol entregando a bola nos pés do adversário.

    Na noite do domingo, a confirmação: Zé Ricardo demitido. O Flamengo parte em busca de um novo técnico para a sequência na temporada. Comemorada por grande parte da torcida, a saída do ex-auxiliar foi o ponto final de um processo arrastado dentro do clube carioca. Com um elenco cheio de estrelas, o Rubro-negro vinha devendo boas apresentações há algum tempo. Ainda que alguns dos reforços tenham chegado com a temporada em andamento, o trabalho em 2017 foi aquém das expectativas.

    Efetivado no ano passado, Zé Ricardo e sua equipe tiveram desempenho positivo na temporada 2016. Mesmo em meio às viagens por conta da falta de um estádio fixo e com elenco de nível inferioir ao atual, o Flamengo brigou durante algum tempo pelo título do Brasileirão. Terminou como terceiro colocado, mas deixando no ar a perspectiva de um 2017 melhor.

    Neste ano, o Flamengo encontrou sua casa, melhorou a estrutura e contratou reforços. Diego Alves, Rhodolfo, Trauco, Renê, Rômulo, Conca, Geuvânio, Everton Ribeiro e Berrío, todos bons jogadores, com condições de fazer os cariocas promoverem uma mudança de patamar. Não foi o que aconteceu, apesar do título no Campeonato Carioca, ainda sem parte dos novos contratados.

    Isso porque Zé Ricardo pareceu constantemente insistir com situações desnecessárias. O treinador demorou a sacar Alex Muralha do time, mesmo quando as falhas se acumulavam e ficava claro que poderiam custar caro às aspirações da equipe. Como acabaram custando. Eliminado na fase de grupos da Libertadores, o Flamengo encerrou precocemente a participação na principal competição do clube em 2017.

    Depois de muita insisitência, Zé tirou a titularidade de Muralha e deu oportunidade ao jovem Thiago. Mesmo sem muita experiência, o jogador teve desempenho melhor que seu antecessor, o que lhe rendeu período como dono da posição. Por fim, a direção rubro-negra contratou Diego Alves, destaque no futebol espanhol nas últimas temporadas. Badalado, o novo reforço garantiria o fim das dúvidas na meta carioca.

    Entretanto, Alves não pôde ser inscrito a tempo na Copa do Brasil. Há duas semanas, no duelo contra o Santos pelas quartas de final da competição, o técnico recolocou Muralha como titular de forma inexplicável. Com falhas em dois gols, o atleta foi um dos pontos baixos do time no confronto, que por pouco não terminou em eliminação dos cariocas. Quem também falhou no duelo com o Peixe foi o zagueiro Rafael Vaz, outro jogador que Zé Ricardo utilizou persistentemente apesar dos seguidos erros.

    Longe do título do Brasileirão (competição em que se encontra 18 pontos atrás do líder), o Flamengo se vê obrigado a tentar "salvar" o ano nas duas competições eliminatórias que lhe restam: a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana. Pouco para um clube que investiu pesado em seu departamento de futebol.

    A rota que o Fla tomará daqui para frente é incerta. Mas se mantém a sensação de que ela poderia ser mudada antes, a tempo de fazer a talentosa equipe carioca alçar voos mais altos ainda em 2017. Uma mostra de que manter um técnico por bastante tempo no cargo nem sempre é a melhor alternativa.

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