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O Real Madrid entra em uma nova era

por   em Editorial
  • Zidane já havia escrito seu nome na história do clube como  jogador e agora comanda o Real Madrid a uma nova era, decretando o fim dos Galácticos

    Destaque O Real Madrid entra em uma nova era Reprodução/Twitter
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    Ronaldo, Zidane, Figo, Roberto Carlos, Raúl, Beckham, Casillas e Michel Owen. Quem não se lembra do time galáctico do Real Madrid montado no início dos anos 2000? Seja fã ou não do Real, o time montado pelo presidente Florentino Perez encheu os olhos de todos aqueles que acompanham o futebol.

    Perez, que havia acabado de vencer pela primeira vez as eleições no Real Madrid e queria impressionar e se firmar no cargo. Por isso, contratou jogadores já consagrados de equipes como Barcelona, Juventus, Liverpool, Inter de Milão e Manchester United, montando um elenco de encher os olhos.

    Dezessete anos depois, o futebol mudou e Florentino Perez também. O presidente, considerado um dos maiores dirigentes da história do clube, foi obrigado a alterar o seu estilo agressivo nas contratações. Com a alta valorização dos passes dos jogadores e o Fair Play Financeiro imposto pela FIFA, o Real Madrid precisou rever a sua política de contratações gastando fortunas em jogadores renomados. Mas a primeira mudança foi no banco de reservas.

    Após um péssimo começo de temporada, Rafa Benítez foi demitido do clube no final de 2015. Para sua vaga o Real Madrid optou por um velho conhecido do clube, mas que pela primeira vez iria comandar uma equipe profissional na sua curta carreira na área técnica: Zinedine Zidane. Treinador do Real Madrid Castilla, o time B da equipe merengue, o francês foi nomeado como treinador “tampão” do time profissional e deveria ficar apenas 6 meses no cargo, até o fim da temporada 2015-16.

    Mas o galáctico Zidane surpreendeu. Além de colocar o time na briga, que já parecia perdida, pelo título do campeonato espanhol – terminando em segundo lugar – o francês levou a equipe ao título da Champions League, o 11º caneco da história do Real Madrid na competição. Com uma sequência boa de resultados, o treinador foi mantido. Afinal, como demitir um treinador que conquistou o título de maior importância da Europa?

    Apesar disso, a imprensa espanhola continuou receosa com o treinador que sequer tinha experiência no cargo. A pressão por resultados em um dos maiores clubes do mundo (se não o maior) é gigante e segundo a imprensa local, a sua permanência dependia de títulos no fim da temporada. Mesmo assim, Zidane se manteve tranquilo e frequentemente se esquivava das perguntas sobre a sua renovação, mostrando foco no trabalho que estava fazendo.

    Assim como na época em que brilhava dentro de campo e comandava o time como maestro, Zizou mostrou que fora de campo também que tem várias características de um grande treinador, com excelente visão e jogo de cintura para tratar dos assuntos extracampo. Ao contrário da época em que jogou pelo Real, onde as qualidades individuais dos jogadores eram acima da média e o jogo coletivo não era considerado tão importante, Zidane montou uma equipe competitiva, valorizando o jogo em grupo ao invés da qualidade individual por si só.

    E esse foi um dos motivos que fez James Rodríguez ir para o banco e perder espaço no time. Apesar da qualidade técnica indiscutível, o colombiano foi preterido por atletas que encaixavam melhor no esquema do francês e que ajudam na recomposição defensiva. Além disso, deu espaço para jovens jogadores como Lucas Vazquez e Asensio.

    O resultado foi mais do que convincente. Além de mais um título de Champions League, o primeiro bicampeonato seguido da história da competição, o Real Madrid voltou a conquistar o Campeonato Espanhol, após cinco anos de seca. Ídolo dentro de campo e agora também fora, Zidane atingiu uma marca incrível: com apenas um time profissional no currículo e um 1 ano e meio de trabalho, conquistou títulos importantes que outros grandes comandantes experientes ainda não conseguiram e, por isso, já passa a ser considerado um dos maiores técnicos do mundo. Para fazer jus aos títulos e ao seu novo “status”, Zidane ganhou um grande aumento de salário e renovou o seu contrato com o Real Madrid.

    Florentino Perez acertou em cheio – com uma pequena dose de sorte, claro. Zidane chegou, mudou o Real Madrid e de quebra ainda conquistou grandes títulos. Para a temporada 2017-18 as dúvidas sobre o trabalho do treinador somem e o que fica são as expectativas de manter o time merengue jogando em alto nível, disputando o título de todas as competições que participa.

    Ao arregaçar as mangas e assumir a difícil missão de assumir o Real Madrid, Zizou foi responsável ainda por mais uma importante mudança no clube: decretou o fim da era dos Galácticos e deu início a uma nova era no Real Madrid.

    Com a impossibilidade de usar a mesma política de contratações da era dos Galácticos, Zidane vai aos poucos mudando a mentalidade do clube menrengue que já passa a buscar jovens jogadores com grande possibilidade de crescimento no futuro, mesclando com a experiência dos jogadores contratados na “2ª era galáctica”, como Cristiano Ronaldo, Bale e Tony Kroos.

    Além de Vinicius Júnior, que só deve chegar ao clube daqui a duas temporadas, os merengues terão já nesta temporada o jovem lateral Theo Hernández, o meia Dani Ceballos, o zagueiro Jesus Vallejo, o meia Asensio, e os atacantes Mayoral e Lucas Vázquez. Além disso, existe uma grande especulação envolvendo o nome de Mbappé, atacante de apenas 18 anos do Monaco.

    Sem nenhuma contratação de renome, Zidane dará chances aos jovens jogadores com grande perspectiva futura, deixando alguns atletas como James Rodríguez e possivelmente Morata saírem da equipe já que não conseguiram se encaixar no estilo do treinador.

    O futebol mudou, o Real Madrid mudou e Zinedine Zidane vai comandando o time merengue a uma nova era, sem deixar é claro de conquistar muitos títulos.

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