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Falta inteligência ao jogador brasileiro

por   em Editorial
  • Jogadores brasileiros têm dificuldades para entender filosofias de jogo diferentes das que estão acostumados e não são muito receptivos

    Destaque Falta inteligência ao jogador brasileiro Reprodução/Twitter
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    Na última semana uma entrevista do ex-atacante Lenny, revelado pelo Fluminense e com passagem pelo Palmeiras, chamou a minha atenção por uma fala do ex-jogador afirmando que os jogadores de clube pequeno não pensam, o que teria sido um dos motivos dele ter largado a carreira de atleta.

    Nesta semana, Rogério Ceni acabou sendo demitido após mais uma partida sem vitória no São Paulo que acabou entrando na zona do rebaixamento do Brasileirão. O ex-goleiro, ainda inexperiente na profissão, tentou implantar um estilo de jogo ofensivo, mas acabou pecando em alguns pontos e não conseguiu colocar em prática a sua filosofia.

    No entanto, enquanto muitos culpam o treinador pelo fracasso e o presidente do clube afirma que o São Paulo deu tudo o que era necessário para Ceni desempenhar a sua função (não tem como não rir da fala do senhor presidente que vendeu “apenas” 12 atletas desde o começo do ano), pouco se falou da “culpa” dos jogadores no fracasso da implementação do estilo de jogo do ídolo tricolor.

    Lucas Pratto foi um dos únicos a chamar a responsabilidade para os próprios jogadores, afirmando que a demissão de Ceni era culpa dos jogadores:

    "O desempenho dentro de campo foi muito ruim. Abaixo da expectativa nossa. Coletivamente e taticamente. Não conseguíamos fazer o que treinávamos. O Rogério é muito capacitado e estava preparado. A verdade é que não conseguimos ajudá-lo dentro de campo coletivamente e emocionalmente. Cada vez que o time tomava um gol não conseguia reagir. No último fim de semana foi claro", comentou o argentino.

    Mas, os jogadores do São Paulo não são os únicos a enfrentarem o problema. Assim como disse Lenny há poucas semanas, falta inteligência aos jogadores brasileiros para compreenderem o jogo, antever jogadas, pensar em pontos futuros e etc. Grande parte disso se deve a deficiência dos trabalhos nas categorias de base e a “preguiça” dos jogadores para tentar buscar entender o que é pedido pelo treinador, principalmente taticamente.

    A questão não afeta apenas jogadores de times pequenos como disse Lenny. Muito pelo contrário, são poucas as equipes da primeira divisão brasileira que sabem jogar com inteligência. Podemos tomar de exemplo as derrotas de Palmeiras e Atlético Mineiro nos jogos de ida das oitavas de final da Copa Libertadores neste meio de semana, ambos por 1 a 0 e para equipe tecnicamente muito inferiores aos das equipes brasileiras (ambas com dois dos melhores elencos do país).

    Mesmo confiando no seu potencial técnico, as duas equipes encontraram muitas dificuldades nos duelos, sem conseguir se impor em campo e sem saber os momentos certos para atacar e se defender e, como dizem por aí, “saber sofrer nos momentos certos da partida”, assim como os alemães vem mostrando saber nos últimos anos.

    Na maioria das vezes, o esforço dos jogadores brasileiros para entender melhor o jogo e saber se portar em campo só são vistas quando deixam o país e vão para a Europa, onde o futebol não aceita jogadores preguiçosos taticamente, obrigando os atletas a se readequarem ao estilo de jogar europeu. Claro, isso se não se importarem em ficar no banco de reservas ou retornarem ao futebol nacional.

    Claro que esse não é apenas um problema exclusivo dos jogadores brasileiros. Os jogadores da seleção mexicana, dirigida pelo ex-treinador do São Paulo, Juan Carlos Osório, também mostram muitas dificuldades para entender a filosofia de jogo do treinador. O estilo de jogo ofensivo do colombiano que já foi goleado em algumas oportunidades pela tática utilizada parece causar dificuldade de entendimento dos jogadores que muitas vezes ficam perdidos em campo, dando impressão de não ter entendido as instruções do seu técnico.

    O problema da inconstância dos jogadores e dos clubes brasileiros deixa muitos torcedores irritados e sem entender os motivos para tantos altos e baixos de equipes consideradas favoritas, mesmo com grandes elencos e estrutura para mostrar um futebol de alto nível. Por isso, não culpe apenas o treinador do seu clube pelos problemas da equipe. Ainda falta ‘inteligência’ aos jogadores brasileiros...

    Alterado: Sábado, 08 Julho 2017 00:19

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