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Clubes e seleções voltam a utilizar esquemas com três zagueiros

por   em Editorial
  • Após anos de esquecimento, clubes como Chelsea, Juventus e até o Barcelona usaram um esquema com três defensores na temporada; No Brasil, o São Paulo é o primeiro a voltar a utilizar

    Destaque Clubes e seleções voltam a utilizar esquemas com três zagueiros Reprodução/Twitter
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    Os esquemas táticos das equipes de futebol sempre são temas de debate antes, durante e depois das partidas. Após uma onda por novos esquemas como o 4-1-4-1 e o 4-3-2-1, a utilização de três zagueiros está voltando a reaparecer, principalmente em solo europeu.

    No Velho continente duas equipes se destacaram nesta temporada usando um esquema com três defensores: O Chelsea e a Juventus. Campeões nacionais sem contestações, as duas equipes estão muito longe de serem defensivas e provaram isso aos seus adversários.

    Após começar a temporada no tradicional 4-4-2, Antonio Conte se viu obrigado a mudar o esquema da equipe diante dos tropeços e das falhas defensivas. O estopim foi uma derrota para o rival Arsenal quando, durante os 90 minutos de jogo, os Blues sequer viram a cor da bola. A partir da partida seguinte, Conte escalou a equipe com David Luiz, Azpilicueta e Cahill na primeira linha. A mudança surtiu efeito e o Chelsea emplacou uma série de 13 jogos seguidos com vitórias, abrindo larga vantagem na liderança.

    O 3-4-3 de Antonio Conte, com os alas voltando para ajudar na marcação, fez a equipe encontrar o seu bom futebol, se tornando praticamente imbatível na temporada. Durante as 38 rodadas do Campeonato Inglês, o time só foi batido em cinco oportunidades, quebrando o recorde de vitórias da Premier League em uma temporada (30 jogos).

    Já a Juventus talvez tenha sido a única equipe que nunca deixou de usar – usou sempre em algum momento nas últimas temporadas – o seu esquema com três defensores. Contando com o sistema defensivo base da seleção italiana, sempre muito reconhecida pelo forte poder de marcação, a Juve não deu chances aos rivais, conquistando com facilidade tanto o campeonato nacional quanto a Copa da Itália. Além disso, ficou com o vice-campeonato da Champions, perdendo apenas para o todo poderoso Real Madrid de Zinedine Zidane na decisão.

    Na Espanha, o Barcelona que durante os últimos anos sempre utilizou o 4-3-3 tentou algo novo. Após tropeços importantes no meio da temporada, fazendo partidas irreconhecíveis e sem nenhum brilho (algo incomum na história recente do clube), Luis Enrique arriscou. Após ser atropelado pelo PSG no primeiro jogo das oitavas de final em Paris, o time catalão testou o 3-4-3 e até conseguiu alguns bons resultados a princípio, como a vitória histórica sobre o PSG no Camp Nou (a famosa Remontada). No entanto, desacostumados a jogar em tal esquema, foram obrigados a retornar ao seu tradicional 4-3-3 no fim da temporada.

    Além do clube catalão, a seleção espanhola do técnico Julen Lopetegui também já começa a se arriscar a utilizar o esquema ao longo de algumas partidas. No empate contra a Colômbia nesta semana, o treinador alterou o esquema da equipe na segunda etapa para o 3-4-3, mostrando que cada vez mais as equipes buscam a versatilidade durante os jogos, tentando surpreender os adversários.
    No Brasil, a última equipe vitoriosa que utilizava um esquema com três zagueiros foi o São Paulo tricampeão brasileiro com Muryci Ramalho (2006 a 2008). No entanto, quase dez anos depois, praticamente nenhuma equipe entra em campo mais com três zagueiros no país.

    Até que no começo do Campeonato Brasileiro de 2017, Rogério Ceni surpreendeu e resolveu mudar o seu esquema no São Paulo. Após grandes oscilações e eliminações, por conta dos problemas do sistema defensivo, o tricolor do Morumbi parece estar encontrando finalmente um equilíbrio. Isso graças ao novo esquema montado pelo ex-goleiro, e agora treinador do clube, com Lucão, Maicon e Rodrigo Caio na zaga. Diferente da equipe de Muricy que entrava em campo no 3-5-2, Ceni utiliza o “moderno” 3-4-3, mostrando estar atento a tudo que ocorre de novo no mundo da bola.

    Resta saber se a “inovação trazida da Europa “ surtirá efeito no seu time ao longo da temporada. No entanto, as exibições da equipe logo após as mudanças feitas pelo treinador já começam a surtir efeito e o São Paulo já mostra uma maior solidez dentro de campo.