O futebol é inexplicável - OChute }

O futebol é inexplicável

por   em Editorial
  • A semana começou com uma notícia devastadora, mas termina com muita solidariedade e as homenagens mostrando a grandeza do futebol 

    Destaque O futebol é inexplicável Reprodução/Twitter
    Gostou: avalie
    (0 votos)
    Publicidade

    O futebol brasileiro está sangrando. Uma dor inexplicável tomou conta do país nesta semana. O sentimento dos 7 a 1 não foi nada comparado com a dor que o povo brasileiro e principalmente os familiares das vítimas do acidente aéreo da última terça-feira estão sentindo.

    Se normalmente o esporte traz imagens espetaculares e mostra histórias incríveis de superação, nesta semana ele nos pregou uma peça, a pior delas possível, trazendo uma angústia imensurável que deixará marcas profundas.

    Até a noite da última segunda-feira a equipe da Chapecoense parecia estar em um conto de fadas. Afinal, o clube havia chegado a uma final de um torneio sul americano pela primeira vez na história.

    Mas não eram apenas os jogadores que estavam animados. Além dos atletas, comissão técnica e diretoria, os jornalistas setoristas do clube também mostravam felicidade. Afinal, eles também estavam no auge de suas carreiras, pois a maioria havia acompanhado a equipe catarinense desde a Série D até a subida para a primeira divisão, chegando neste ano na decisão Copa Sul Americana. Por isso, eles se sentiam parte dessa história.

    Ainda estamos esperando chega o aviso de que tudo foi um engano, que todos estão bem e que tudo não passou de um pesadelo. Mas, enquanto custamos a acreditar na tragédia, os noticiários trazem informações cada vez mais tenebrosas dos motivos que teriam causado a queda do avião.

    Não se passou ainda uma semana do acidente e as pessoas já estão extenuadas em ouvir cada novo relato sobre o tema. O peso da tragédia, a dor da perda que pegou todos de surpresa mexeu com as pessoas de uma maneira inexplicável.

    No entanto, algumas pessoas parecem não ter noção da proporção do acidente e sem o mínimo de respeito com o clube e os familiares de todos os envolvidos tem a coragem de fazer pedidos indecentes.

    Como esperado, a CBF e a FIFA mostraram que apesar de serem os órgãos responsáveis pelo esporte prestam um desserviço ao futebol. A entidade máxima do futebol só se pronunciou na última quinta-feira, dois dias depois do acidente, e anunciou apenas o luto nas partidas deste final de semana em todo o mundo. No entanto, as equipes e as federações de vários países já haviam se antecipado e prestado homenagens nas partidas realizadas no meio da semana. Além disso, a FIFA não anunciou se adorará alguma medida para ajudar a equipe catarinense ou os familiares.

    Já a CBF fez pior. O presidente Marco Polo del Nero, no ápice da sua loucura, conversou com o vice-presidente da Chapecoense e pediu para o clube jogar a última partida do Campeonato Brasileiro e fazer uma grande festa...

    Ao mesmo tempo em que o presidente da CBF quer que o clube catarinense faça festejos, ele deixou de cumpriu o seu papel de comandante do futebol brasileiro, indo à Colômbia para prestar toda a assistência necessária. Del Nero sequer deu as caras para prestar solidariedade, continuando a sua fuga das entrevistas e das viagens internacionais.

    Apesar dos absurdos vistos por parte destas duas entidades, a solidariedade prestada por clubes e torcedores de todo o mundo foi comovente e deve ser sempre recordada. Mensagens de apoio, homenagens nos uniformes, monumentos históricos iluminados com as cores do clube e cantos de torcida como “Vamo, Vamo Chape” foram apenas algumas das homenagens que o mundo prestou ao clube catarinense.

    Mas a maior surpresa veio do adversário da Chapecoense na final da Copa Sul Americana. Além de pedir que o título seja concedido ao clube brasileiro, os torcedores colombianos se uniram para prestar uma emocionante homenagem, lotando o Estádio Atanásio Girardot, estádio onde seria realizada a primeira partida da final, e as ruas no entorno do estádio.

    E quando todos menos esperavam Dona Alaíde, mãe do goleiro Danilo, voltou a comover a todos ao consolar o repórter do Sportv Guido Nunes pelas perdas dos amigos de profissão.

    Esses são apenas alguns dos exemplos que a mistura de sentimentos que o futebol nos traz confirmando que ele é simplesmente inexplicável.

     

    “Que lo escuche todo el continente, siempre recordaremos al campeón Chapecoense”

    Relacionadas