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A despedida de um gênio!

por   em Editorial
  • Johan Cruyff brilhou com as camisas do Ajax, Barcelona e Seleção Holandesa.

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    Impossível fugir do clichê de comentar que o mundo do futebol amanheceu triste nesta sexta-feira (24). Não dá pra esconder que a magia e o encanto do jogo também se vão, um pouco, com Johan Cruyff.

    O ex-jogador e técnico foi vitimado por um câncer no pulmão, ocasionado, possivelmente, pelo cigarro, apesar de ter largado o vício há tempo. Cruyff morreu rodeado pela família, em Barcelona, cidade que tanto prestígio deu a ele em vida.

    O holandês era um gênio não apenas por criar jogadas sensacionais e inimagináveis, mas por ser um pensador. Tanto dentro de campo, quanto fora dele. Foi na Holanda de 74, o “Carrossel Holandês” de Rinus Michels, que Johan Cruyff imortalizou a figura do “falso 9”, que tem, hoje, como maior expoente ninguém menos que Lionel Messi.

    Aquela seleção acabou perdendo a Copa do Mundo para a Alemanha, mas revolucionou a maneira como se vê o futebol hoje. Os jogadores não ficavam presos em apenas uma posição, eles se deslocavam para outras funções, dependendo do local onde se encontravam no campo.

    Brilhou também com a camisa do Ajax, quando conquistou um tricampeonato europeu e o hexacampeonato holandês. Tantos títulos chamaram a atenção do Barcelona, que o contratou pouco antes da Copa de 74. E já chegou fazendo história, ganhando o título espanhol e tirando o Barça de um jejum de 14 anos de títulos.

    Aposentou-se como jogador em 84. Mas não se aposentou do futebol. Ele também brilhou como técnico. E repetiu a história.

    Primeiro treinou o Ajax, ganhando uma Recopa Europeia. Em 88 foi para o Barcelona, onde entrou, definitivamente, para a história. Foi técnico do time catalão por oito temporadas, ganhou o tetracampeonato espanhol e conquistou a primeira Liga dos Campeões do Barcelona, em 92.

    Foi com o “Dream Team” barcelonista que ele imprimiu um novo estilo de treinar. Com toque de bola e domínio do adversário, conseguiu com que todo o clube adotasse essa técnica, dos profissionais até as categorias de base, o que permitiu que a equipe tivesse sempre jogadores formados em casa, já com os padrões táticos esperados.

    Vale lembrar que nesse Barcelona de Cruyff, tinha um volante chamado Pep Guardiola, que aprendeu, e muito bem, todos os ensinamentos do mestre holandês.

    Cruyff também nutria uma admiração muito grande pelo futebol brasileiro. Ele achava mágico o jeito como a Seleção Brasileira de 70 jogava. Por essa paixão pelo time de Pelé, Jairzinho e companhia, o holandês criticava, e muito, a atual fase do futebol brasileiro. Não achava possível que um menino de 20 e poucos anos pudesse ditar o que se esperava de uma Seleção com talento ímpar.

    Outro ponto notável da admiração de Cruyff pelo futebol brasileiro podia ser notado quando lhe perguntavam quem era o melhor jogador com quem ele tinha trabalhado. O holandês não tinha dúvidas quanto à resposta: Romário. O baixinho foi atleta de Cruyff no Barcelona e sempre impressionava o treinador. Johan dizia que Romário era imprevisível e extremamente técnico.

    Como é impossível falar de Cruyff sem falar do Barcelona, podemos dizer que a última homenagem que ele recebeu, em vida, veio justamente do Barça. Há algumas semanas Messi e Suárez encantaram o mundo ao bater um pênalti em dois toques. Imagino que, inconscientes, o argentino e o uruguaio repetiram o gesto que Cruyff tinha realizado com o dinamarquês Jasper Olsen, em 1982.

    Vá em paz Cruyff! O mundo jamais se esquecerá de você!

    Alterado: Quinta, 24 Março 2016 15:30

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