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Policia investiga transferência irregular com envolvimento de dirigentes da CBF

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Bismark foi aliciado pelo Santa Rita e emprestado a um clube estrangeiro antes mesmo de ter o seu nome publicado no BID

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O possível envolvimento de um diretor e um vice-presidente da CBF em uma transferência irregular de um jogador do Santa Rita, da primeira divisão de Alagoas está sendo investigado pela polícia civil do Rio de Janeiro. Caso os indícios sejam comprovados, ambos podem responder por fraude, estelionato, falsidade ideológica, tráfico de influência e aliciamento de atleta.

O jogador em questão é Bismark de Araújo Ferreira. O atleta que pertencia ao Palmácia, clube da terceira divisão do Ceará, e atuava pelo ABC por empréstimo. A proposta do Santa Rita pelo jogador foi enviada no dia 30 de novembro ao atleta e de acordo com o advogado do clube, Flávio Guilherme, Bismark tinha contrato até 2018 com o Palmácia e a proposta do Santa Rita não teria seguido as leis do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

“O atleta tinha contrato com nosso clube até o ano de 2018. Portanto, qualquer carta diretamente endereçada ao atleta, quando o jogador tem contrato em vigor, caracteriza, segundo o CBJD, aliciamento ao atleta” disse o advogado do Palmácia.

Questionado sobre o tema, João Feijó, presidente do Santa Rita, negou a irregularidade.

“Isso é comum você fazer uma proposta de trabalho para um atleta que está em um clube que não existia. Nós apresentamos uma proposta a um atleta que estava em condição irregular, sem receber salários e pegou no juiz a sua liminar” disse João Feijó.

Após uma decisão judicial, Bismark foi liberado do Palmácia e sua rescisão de contrato foi publicada no registro da CBF (BID), no dia 14 de janeiro de 2016. No entanto, antes mesmo de ter assinado um contrato de quatro anos com o clube, no dia 18 de janeiro, Bismark foi negociado com o Najran, da Arábia Saudida, no dia 16 de janeiro, sem ao menos ter jogado uma partida com a camisa do Santa Rita.

De acordo com o sistema de transferências da Fifa, o empréstimo de Bismark rendeu cerca de R$ 400 mil ao clube alagoano.

Após os inicios das investigações, Reynaldo Buzzoni, diretor de registros e transferências da CBF foi escutado pela polícia, em outubro, mas não preferiu não comentar o caso com a imprensa.

Após a assessoria de imprensa da CBF revelar que a entidade só irá se manifestar após o encerramento do inquérito. Gustavo Feijó, vice-presidente da CBF e irmão de João Feijó, disse desconhecer o caso e negou que tenha feito tráfico de influência.

“O que eu posso falar é que jamais usei nenhum tráfico de influência, fiz pedido a qualquer pessoa, seja o Buzzoni, seja o secretário-geral, seja o presidente. Eu jamais fiz pedido nenhum sobre esse caso e não conheço o caso, vim conhecer agora”.

Além da investigação da polícia, o Palmácia, clube que havia perdido os direitos do atleta recorreu da transferência de Bismark no STJD e após a primeira audiência, o clube pediu o afastamento do relator do processo, Paulo Salomão Filho, indicado pela CBF, que é ré no caso.

“Eu fui indicado pela CBF porque a lei indica assim” afirmou Paulo Salomão Filho que deve permanecer como relator já que o STJD negou o pedido de afastamento.

“O contrato com o Santa Rita é publicado no dia 18 de janeiro. O jogador é emprestado no dia 16 de janeiro. Não existe, alguma coisa está errada. Você não pode emprestar o que você não tem” contetou o advogado do Palmácia.

“Ele assinou contrato com a gente no dia 14. Nós fizemos tudo com ordem judicial, junto à CBF. Ele foi solicitado ao Najran, que é um clube da Arábia, no dia 16 de janeiro, onde o TMS da Fifa mostra que no dia 18 ele foi transferido definitivamente para o Najran. Tudo dentro da legalidade, com ordem judicial” retrucou João Feijó, presidente do Santa Rita.

A confusão, no entanto, promete se arrastar ainda mais já que dois documentos mostrados aparecem com datas diferentes. Enquanto em um deles o empréstimo começa no dia 16 de janeiro de 2016, no outro, mostrado pelo Santa Rita, o vínculo é encerrado no mesmo dia.

“A investigação indica que há uma ausência de clareza nas regras de negociação de jogadores. Se for verificado que essas informações foram, de forma dolosa, inseridas e que não comprovavam a realidade dos fatos, eles vão responder por falsidade ideológica e associação criminosa” afirmou o delegado Ricardo Barbosa.

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