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Tite festeja ótimo início na Seleção Brasileira

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Nos três primeiros jogos, três vitórias, dez gols marcados, apenas um sofrido e a vice-liderança das Eliminatórias

Destaque Tite festeja ótimo início na Seleção Brasileira Lucas Figueiredo/CBF
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O início do trabalho de Tite pela Seleção Brasileira é arrasador. Nos três primeiros jogos, três vitórias (Equador, Colômbia e Bolívia), dez gols marcados e apenas um sofrido. Na noite de quinta-feira (6), o time canarinho venceu os bolivianos por 5 a 0, na Arena das Dunas, e manteve o bom momento nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Na segunda colocação do torneio, o Brasil já dobrou a sua pontuação, algo que nem Tite parece acreditar.

“Nem nos meus melhores sonhos eu esperava isso. Vou dormir depois das quatro da manha (risos). Eu me conheço, a adrenalina vai estar a milhão. Sei o quanto eu e toda a comissão técnica trabalhamos, o quanto foi difícil ajustar a equipe para ela estar limpa hoje. Mudamos treinamento, logística. Atleta que jogou sábado, domingo, segunda, que pegou oito horas de voo, com sono diferente. O que fiz foi encontrar a posição que eles exercem em seus clubes para não dar uma de professor pardal, para fazer eles usarem a memória tática. Mas não imaginava que seria nesse volume”, disse Tite após a vitória.

Na Era Dunga, a Seleção havia conquistado nove pontos em seis jogos, com Tite foram os mesmos nove, mas em apenas três partidas. Tem 18 e segue vice-líder das eliminatórias, atrás apenas do Uruguai (19). A torcida reconhece o trabalho do novo treinador e chegou a gritar seu nome na Arena das Dunas. Na entrevista, disse se sentir desconfortável com a situação. Mas não conseguiu esconder a emoção.

“Me sinto desconfortável. Quando gritavam, eu sentava no banco e ficava quieto. Nem todos tem a dimensão exata do quanto temos um grupo de trabalho com grandes responsabilidades. Claro que fico contente por ser o escolhido, com o carinho que recebi. Agradeço de coração. Mas poderia ser o fisioterapeuta, alguém do departamento médico. Várias pessoas foram fundamentais para conseguirmos manter o ritmo alto. Por isso a equipe estava solta, leve e jogou o que jogou”, frisou.

Após a vitória, o elenco brasileiro tem folga nesta sexta e volta a trabalhar no sábado. A viagem para a Venezuela está marcada para o domingo. Na terça-feira, a Seleção volta a campo para enfrentar os donos da casa em Mérida.

Confira a entrevista de Tite:

Atuação

“O que me deixou feliz: a maturidade da equipe. O clima era de já ganhou. Mas isso é lá fora, não pode ser nosso. Sabíamos das dificuldades. Tivemos de reajustar todo o trabalho. Com o treinamento tático, eles conseguiram manter o padrão. Isso gera confiança”.

Bolívia

“Em termos estratégicos, pensamos que a Bolívia poderia fazer pressão alta como fez contra o Chile. Assim correríamos o risco de perder a bola na saída, mas sabíamos que furando esse bloqueio inicial daríamos chance para Neymar, Jesus e Coutinho chegarem ao gol em jogadas rápidas. Trabalhamos para encontrar os jogadores no último terço do campo. Antes era trabalhar, rodar, triangular. O último terço é para promover o talento que todos eles têm. Aconteceu várias vezes. Em outras, a Bolívia parou o jogo. Mas a falta é do árbitro. O meu lado é orientar o Neymar para ter maturidade. Tanto que no intervalo voltei com ele e falei para ir para dentro, para dar assistência para fazer o gol. Nada de passe virando o rosto pro lado. Respeitamos a Bolívia. Aconteceram erros de arbitragem por faltas excessivas. Mas eles tiveram maturidade para suportar situações assim”.

Segundo gol

“Usamos os números para refletir. Quando pegamos posse de bola, triangulação, passe rápido pelo meio, fazemos o adversário não saber qual será a próxima jogada. Os dados estatísticos mostram que transitar mais rápido a bola na linha de quatro aumenta a efetividade e o número de chances criadas. Foi isso que aconteceu”.

Giuliano segue como titular?

“No intervalo, todos estavam chateados pelo cartão do Neymar. Mas falei que estava orgulhoso pelo primeiro tempo. Claro que são etapas, mas não posso me eximir. Pressão alta, corte da linha de passe no pé direito do goleiro, não tomar gol... Tudo isso gera confiança. O Moreno faz o pivô com muita qualidade. Mandei o Fernandinho marcar pela frente e começamos a ganhar todas. São pequenos ajustes que vão ajudando. Resumindo: fugi da pergunta porque não sei quem vai jogar (risos)”.

Alterações

“Só tento observar. Sou limitado e inseguro em meus posicionamentos. Faço tudo possível para clarear. O Coutinho joga mais pela esquerda no Liverpool e adaptamos ele na direita. Coutinho tem aparecido pelo meio e procurar equilibrar. O Willian é vertical, é flecha. Ai você tem o Coutinho armando, o Firmino faz esse atacante móvel. Tento estudar o que eles fazem nas equipes e trazer para a Seleção, sem inventar”.

Gol por roubada de bola

“Nosso time é móvel, tem rodinha no pé. Quando você consegue isso, agride rápido, o jogador inteligente vê a linha de passe do adversário. O Neymar viu isso, cortou a linha de passe no pé direito do zagueiro, que ficou apavorado. Tenho jogadores com essas características. Abraçando a ideia, agredindo a marcação e induzindo o rival ao erro. Ai acontece o que aconteceu”.

Dupla Neymar e Jesus

“Temos vários atletas móveis. Com imposição física, mas móveis. É a característica da equipe. O Jesus é agudo, o Neymar também, o Coutinho é de lado de campo, vem de trás. Chega Renato, chega Giuliano, tem o Fernandinho para abastecer, para continuar na ação ofensivo do passe. Você começa a ter opções. Nossos laterais são construtivos, fizeram um jogo de alto nível. A gente começa a ter um equilíbrio. É cedo, prematuro, mas começa a se desenhar um grupo que vai se consolidando. A classificação está muito embolada, mas não posso deixar de enaltecer esse desempenho”.

Neymar fica?

“Sobre a escalação, ainda não sei quem entra no lugar dele. Minha opinião sobre ele continuar: antes, temos que conversar com todos. Neymar vinha de nove jogos seguidos no Barcelona. Vocês não sabem o que acontece. O próprio Luis Henrique tinha planejado tirá-lo. Quando faz nove, dez jogos, o atleta está a ponto de estourar. Eu estava até em dúvida de escalá-lo. Mas como vou deixar de escalar o Neymar? Mas e se ele se machuca? Eu não dormiria por dois dias. Estamos falando de saúde do atleta. O Luis Henrique ia tirá-lo após o quinto jogo seguido, mas o Messi se machucou. Agora ele completou dez seguidos”.

Torcida

“Olho para o papai do céu, agradeço e sigo meu trabalho. Fico muito feliz com o carinho que recebi. Muito obrigado mesmo. Agradeço de forma simples, mas sabendo que cada um de nós trabalhou. Não é ser falso humilde ou ostentoso. Temos que ficar felizes. Vou jantar com minha esposa hoje feliz. E todos da Seleção da mesma forma. Só pedi para manterem o respeito. Nada de tocar bola e virar o rosto. Não fizemos isso em momento algum. Começamos o segundo tempo com três chances seguidas. Todas com o Neymar pela esquerda. Ele sofreu falta, ficou quieto. Procuramos esse equilíbrio. São seis equipes com diferença de quatro pontos. Está tudo muito embolado”.

Neymar suspenso

“Na primeira entrevista que dei na Seleção Olímpica, dei a seguinte resposta e continuo com ela. É desumano colocar sobre o Neymar toda a responsabilidade. Tudo dá a bola nele, finta, sofre falta. É desumano. Da mesma forma que se o Neymar não nos ajudar na marcação e cumprir sua função tática, ele vai sobrecarregar a equipe. Claro que ele é a liderança técnica do time. Um guri que você não conhecem e estou começando a conhecer. Um coração enorme. Ele abraça os meninos do sub-20 e ajuda a descontrair. A equipe tem de ser forte sem o Neymar e quando ele estiver, precisa ajudar a fortalecer a equipe. Não pode ser uma coisa única”.

Volta de Neymar para a segunda etapa

“Porque a equipe estava engrenada, ajustada, é um atleta de nível técnico altíssimo. Não vou prejudicar a equipe. Faz parte da maturidade do atleta saber que as situações do primeiro tempo vão continuar. É do processo. Não fala com árbitro, não fala com o adversário, vai jogar, vai para dentro no último terço do campo. O que pedi foi para, no último terço, tocar mais rápido, fazer a flecha para frente. É um processo de maturidade que não pode prejudicar a equipe”.

Evolução

“Desse jogo especificamente a maturidade da equipe. Após duas vitórias, saber que teria um jogo difícil. O time teve essa maturidade, essa experiência de saber que não seria fácil e de construir um bom resultado. O sistema tático quem colocou foi o Dunga. As peças, a organização, a estruturação, o posicionamento, tudo bem. Mas a sistema é anterior à minha chegada. Quem conseguiu tudo isso não fui eu, foram os atletas, a qualidade que eles têm. E nós trabalhamos muito para tudo isso acontecer”.

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