O jogo que não deveria ter terminado }

O jogo que não deveria ter terminado

por   em Editorial

Duas semanas após ser massacrado na Espanha o Manchester City mostrou que aprendeu com os erros e fez um dos maiores duelos da temporada com o Barcelona

Destaque O jogo que não deveria ter terminado Reprodução/Twitter
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O jogo entre Manchester City e Barcelona pela fase de grupos da Champions League, realizado na última terça-feira, foi uma grande aula para quem teve a oportunidade de assistir. De um lado, um dos maiores – se não o maior – time do mundo. Do outro, um time em formação, mas que tem em seu banco de reservas um dos treinadores mais respeitados da atualidade capaz de fazer transformações inimagináveis nas equipes que comanda.

Se há duas semanas o Barcelona não tomou conhecimento do Manchester City jogando no Camp Nou, com direito a show de Lionel Messi, no Etihad Stadium foi a vez de Guardiola revelar toda a sua competência e reger o City conquistando não só uma vitória importante, mas mostrando acima de tudo um futebol competitivo e jogando de igual para igual com uma das equipes mais temidas do mundo.

Sem Jordi Alba e Iniesta, Luis Enrique ainda tinha o trio MSN na sua equipe. Com um meio de campo composto por Rafinha, Rakitic e André Gomes, Lionel Messi ficou encarregado de distribuir o jogo e, por isso, precisou jogar um pouco mais recuado do que de costume.

Sabendo da qualidade do trio ofensivo do time catalão e como o Barcelona valoriza a posse de bola, Pep Guardiola decidiu tirar a pelota do adversário e se aproveitar da fraqueza que Luis Enrique teria com os desfalques do seu time. Sem a genialidade de Iniesta e o apoio de Alba, o Barcelona teria muitas dificuldades caso a bola não chegasse aos seus homens de ataque. Por isso, Pep adiantou a sua marcação mais do que o costume, pressionando os zagueiros do Barcelona de forma que eles não conseguiam encontrar Rakitic, André Gomes, Rafinha e Messi.

Sem conseguir sair do seu campo defensivo e por muitas vezes dando chutões para o ataque para sair do aperto, algo incomum para um time da qualidade do time catalão, o Barcelona sentiu a pressão. Mesmo conseguindo roubar bolas no ataque, próximo a grande área adversária, o City pecou onde não deveria errar: nas finalizações. Em um jogo tão importante quanto esse qualquer erro pode ser fatal contra um time com a qualidade técnica e individual dos jogadores do Barcelona.

Aos 21 minutos, Messi ficou com o rebote após o escanteio e lançou Neymar ao ataque. O brasileiro foi até a entrada da área adversária, esperou Messi chegar, rolou a bola e o argentino abriu o placar do jogo, na primeira chegada do Barcelona na partida. O trio MSN não perdoa.

O City sentiu. A marcação que Pep pediu para o seu time fazer desde os primeiros minutos afrouxou e o adversário cresceu. O time de Luis Enrique passou a criar oportunidades e o desespero de Guardiola para que o time saísse da defesa e voltasse à ideia inicial do jogo era perceptível.

Durante quase 20 minutos o City se segurou bravamente na defesa e aos poucos recuperou o futebol mostrado nos primeiros minutos no Etihad Stadium. Quanto conseguiu pressionar mais forte a saída de bola os jogadores do City foram recompensados. Sergi Roberto errou um passe lateral na entrada da sua própria área e dessa vez o City não perdoou, empatando a partida ainda no final do primeiro tempo.

Na volta do intervalo apenas o Manchester City veio para o jogo. Com uma postura totalmente diferente e mais confiante, os citizens não deixaram o Barcelona fazer o que sabe de melhor, trocar passes, dominar a posse de bola e pressionar. Com a marcação forte, o clube catalão se perdeu. Luis Enrique não soube sair do “xeque” dado por Guardiola e o trio MSN, isolado, não viu a cor da bola.

Jogando nas costas do fraco lateral Digne, que substituía lesionado Jordi Alba, Guardiola massacrou o seu ex-clube com um segundo tempo fora do comum. Com excelentes atuações de Fernandinho, Gundogan, Aguero e Kevim de Bruyne, o City dominou o meio de campo e usou as pontas do campo para furar a zaga catalã. Kevin de Bruyne e Gundogan, após uma excelente jogada coletiva balançaram a rede de Ter Stegen, para delírio do torcedor do time inglês.

O resultado foi uma virada histórica sobre o Barcelona. Uma vitória maiúscula e essencial para o time não se complicar na Champions League.

Do outro lado do campo, os jogadores do Barcelona tiveram uma pequena amostra do que é se sentir impotente em campo. Sem conseguir fugir do jogo imposto pelo City de Guardiola, Messi saiu de campo furioso, irritado por sua equipe não ter conseguido jogar.

A partida entre City e Barcelona foi daquelas que nós não gostaríamos que terminasse após os 90 minutos. Um espetáculo para ser assistido comendo pipoca e aplaudir a todos de pé no fim.

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