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Sobre o Fla-Flu, o justo venceu o legal no STJD

por   em Editorial

É evidente que houve interferência indevida. Ficou claro que a decisão certa foi tomada através de informações obtidas de maneira errada

Destaque Sobre o Fla-Flu, o justo venceu o legal no STJD Divulgação/Fluminense
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Durante esta semana, o futebol brasileiro discutiu o que era mais importante: o justo ou o legal. Aos 39 minutos do segundo tempo da partida entre Fluminense e Flamengo, em Volta Redonda, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, o placar apontava uma vitória por 2 a 1 para o time rubro-negro. Eis que uma falta pelo lado esquerdo do ataque do Tricolor das Laranjeiras é cobrada na área e Henrique, de cabeça e em posição de impedimento, empata a peleja.

Logo que o gol saiu, o bandeirinha Emerson Carvalho assinalou a condição irregular do zagueiro, que saiu correndo desesperado ao seu encontro e, por um momento, o convenceu de que realmente ele poderia ter errado. Sendo assim, Sandro Meira Ricci, o árbitro do jogo, se aproximou, consultou seu assistente e validou – de maneira equivocada - o gol de empate.

Aí foi a vez dos jogadores do Flamengo se revoltarem. As queixas e a confusão formada foram tomando conta da situação e a partida ficou parada por treze minutos.

Alguém passou a informação para os rubro-negros de que o gol realmente tinha sido marcado de maneira irregular, um prato cheio para pressão em cima do árbitro. Jogadores reservas e titulares dos dois times se aglomeravam em campo defendendo suas teses. Enquanto os flamenguistas berravam “Estava impedido, a televisão falou”, os tricolores falavam em “sacanagem”.

Mas o ponto chave de toda a história foi a entrada do inspetor de arbitragem em campo. Uma reportagem exibida pelo programa “Esporte Espetacular” provou que Sérgio Santos disse: “A TV sabe. A TV sabe que não foi gol”. Pelas regras do futebol, as únicas pessoas que podem passar informações ao árbitro são os assistentes e o árbitro reserva, que fica a beira do gramado. Sem contar que a Fifa ainda proíbe o uso de vídeo.

No final, depois de todo um circo, Sandro Meira Ricci voltou a anular o gol e o placar final do confronto foi mesmo 2 a 1 para o Flamengo.

O Fluminense não perdeu tempo e entrou com um pedido de anulação do clássico. Em um primeiro momento, Ronaldo Piacente, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, aceitou o processo, recomendou a suspensão do resultado do jogo à CBF e queria levar o caso a julgamento. No entanto, a procuradoria do STJD solicitou a reconsideração da decisão. Assim, o processo foi arquivado e os pontos do Flamengo restituídos.

No final, o justo acabou sendo mais valorizado do que o legal. Apesar de Felipe Bevilacqua, procurador-geral do STJD, alegar que ''a prova de vídeo não possui valor já que houve a negativa do Inspetor de Arbitragem, assim também como a manifestação dos atletas em campo não podem ser considerada intervenção externa justamente por serem participantes'', é evidente que houve interferência indevida na decisão da arbitragem. Neste contexto ficou claro que a decisão certa foi tomada através de informações obtidas de maneira errada.

Todo o caso em questão acaba remetendo a questões antigas do futebol brasileiro. O despreparo não só de Emerson Carvalho, que sucumbiu à pressão dos jogadores do Fluminense após marcar corretamente o impedimento no lance do gol, mas de toda a equipe de arbitragem escalada para o clássico, que não soube lidar com a situação. Sem contar a interferência ridícula de Sérgio Santos, que ainda teve a cara de pau de negar o que fez.

O futebol brasileiro carece de profissionalização. Seriedade. E, principalmente, de pessoas que tenham colhão para bancar uma mudança profunda no que diz respeito à organização. Tirar um mando de campo, suspender um jogador e instituir torcida única nos estádios, são coisas bem fáceis para os senhores magistrados do STJD. Mas o buraco é mais embaixo quando o assunto é tirar três pontos do time mais badalado do país e que atualmente briga pelo título do Brasileirão. Não é mesmo?

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