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Tudo pelo poder

por   em Editorial

Presidente da FIFA prometeu medidas "populistas" que irão agitar o futebol, mas que visam principalmente a manutenção do seu cargo em 2019

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Gianni Infantino de bobo não tem nada. Braço direito de Michel Platini, o ex-secretário geral da UEFA aproveitou suspensão imposta pela FIFA ao ex-jogador e entrou na disputa pela presidência da FIFA como “plano B” da UEFA.

A vitória do suíço, em fevereiro deste ano, no segundo turno das eleições foi larga: 115 votos contra 88 do xeque barenita Salman bin Ebrahim al-Khalifa. O ex-dirigente da UEFA conseguiu 11 votos a mais que a maioria simples necessária para encerrar o pleito sem a necessidade de uma terceira rodada de votação.

O novo presidente da FIFA ficará no cargo até 2019, com um mandato um ano menor que o habitual, já que Infantino está completando o período que Joseph Blatter ficaria no cargo (o ex-presidente foi reeleito em maio do ano passado, mas acabou renunciando meses depois).

No entanto, o suíço ainda poderá se reeleger duas vezes, de acordo com os novos estatutos da FIFA, que foram aprovados no mesmo dia que o dirigente foi eleito. Na nova regra, os líderes da entidade podem permanecer, no máximo, 12 anos no poder.

Mas como o ex-secretário geral da UEFA, o “plano B”, conseguiu se eleger ao cargo mais almejado pelos dirigentes do mundo da bola?

A resposta é muito simples: prometendo dinheiro, direta e indiretamente, para todas as federações dos cinco continentes.

Na sua plataforma de campanha Infantino afirmou que seria possível “investir” melhor o dinheiro que a entidade desperdiça e aumentar o repasse (mesada, propina, suborno ou qualquer outra palavra de sua preferência) para as federações para 5 milhões de dólares, dobrando o valor recebido até então que era de 2 milhões de dólares.

Além disso, o dirigente prometeu aumentar o número de equipes que disputam a Copa do Mundo. Segundo a sua proposta o número de seleções participantes, que atualmente é de 32, saltaria para 40. A alegação do dirigente é “dar mais oportunidades as equipes”.

As primeiras propostas “populistas” do dirigente vão ser discutidas no próximo Conselho da FIFA que será realizado nos dias 13 e 14 de outubro, cerca de sete meses após a sua eleição. As mudanças, no entanto, caso sejam pré-aprovadas, devem ser decididas oficialmente no ano que vem.

Porém, o dirigente surpreendeu na última semana quando apresentou um plano de aumentar o número de seleções não para 40 e sim para 48 seleções e afirmou que a ideia já deve ser discutida neste próximo Conselho da entidade. O atual presidente da FIFA também planeja colocar em pauta a organização conjunta entre vários países para sediar os Mundiais, outra de suas ideias divulgadas antes de ser eleito.

Infantino de bobo não tem nada. O suíço não pretende largar o osso que acabou de abocanhar tão cedo, seguindo assim os passos do seu antecessor Joseph Blatter.

As medidas que o dirigente prometeu em campanha e propõe, dizendo serem questões relevantes e importantes para o desenvolvimento do esporte são nada menos do que medidas políticas visando a manutenção do cargo já para as próximas eleições daqui a três anos.

Ao aumentar o número de seleções participantes do Mundial, Infantino foi claro e disse querer dar mais oportunidades para países menos tradicionais. A fala do suíço foi voltada justamente para seleções africanas e asiáticas, locais onde o atual presidente da FIFA ainda não goza de prestigio.

O aumento da mesada para as federações também é uma grande jogada. Ela é um agrado a todos, mas principalmente para as federações destas mesmas localidades que Infantino tenta angariar votos. Enquanto isso, a organização conjunta entre países da Copa do Mundo visa agraciar mais de uma nação ao mesmo tempo, já que os lucros obtidos com a realização de uma Copa do Mundo são gigantescos.

As ações de Gianni Infantino podem parecer interessantes em um primeiro momento para as seleções e torcedores. No entanto, precisam ser amplamente discutidas e algumas repensadas para evitar que as assombrações de João Havelange e Joseph Blatter continuem a pairar na FIFA e no futebol de uma maneira geral.

Alterado: Domingo, 09 Outubro 2016 12:17

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