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Precisamos falar sobre Vanderlei Luxemburgo

por   em Editorial

Ao tentar recuperar a atenção do mercado brasileiro, o treinador acabou evidenciando a sua arrogância no programa "Bem, Amigos"

Destaque Precisamos falar sobre Vanderlei Luxemburgo Reprodução
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Durante as últimas semanas, o técnico Vander lei Luxemburgo voltou a circular pelos programas da TV brasileira que discutem futebol. Depois de aparecer no “Donos da Bola”, comandado pelo Neto na Bandeirantes, ele participou do “Bem, Amigos”, de Galvão Bueno, no Sportv.

As participações foram recheadas de declarações polêmicas e alguns esclarecimentos por parte do treinador, que teve como último trabalho uma passagem de seis meses pelo Tianjin Quanjin, da segunda divisão da China, de onde foi demitido em junho. Ele, inclusive, tentou cavar uma vaguinha no São Paulo.

"Eu acho que tenho que dirigir o São Paulo. Se não der jeito, tudo bem, mas um profissional da minha qualidade tem que passar pelo São Paulo", disse, sem nenhuma cerimônia no programado do ex-jogador Neto.

A participação do treinador na atração da TV Bandeirantes foi mais comedida, até porque Luxa não encontrou muita resistência dos entrevistadores e falou o que queria sobre os temas abordados, como Gabriel Jesus, a rusga dos são-paulinos contra ele e o politicamente correto no futebol.

Foi no “Bem, Amigos” que o clima esquentou. Porém, na realidade, a única declaração realmente contundente dada por Luxemburgo foi sobre a possibilidade de haver corrupção na segunda divisão do futebol chinês.

"A conversa lá é paralela. Estou dizendo o que o meu presidente (Shu Yuhui) falou para mim. No segundo turno, nós tínhamos que avançar porque 'os jogos estão todos prontos'", explicou o treinador, atualmente sem clube.

"Nos anos anteriores, um monte de gente foi presa (na China). Para o futebol chinês avançar, precisa parar com a corrupção dentro do próprio futebol chinês".

As declarações renderam até uma resposta de Luiz Felipe Scolari, que está no país asiático há um ano e meio, onde dirige o Guangzhou Evergrande, pentacampeão nacional.

“Acho totalmente absurdas as palavras do Vanderlei, totalmente infundadas. Nós estamos aqui trabalhando há um ano e meio no Guangzhou Evergrande e podemos dizer que conhecemos algumas situações do campeonato aqui, envolvendo as equipes que jogam. Nunca se ouviu falar neste momento de algum detalhe diferente do normal realizado em campo. Se aqui aconteceu, há alguns anos, episódios neste sentido, no Brasil ocorreu também. E o Luxemburgo conhecia também, fazia presença nos campeonatos. É uma situação um pouco estranha para mim, absurda. Nós todos no clube ficamos chateadíssimos com esse tipo de atitude, pois começam aqui na China a ter preconceito com os brasileiros por esse tipo de declaração absurda. E tem detalhes que são infundados, totalmente”, disse Scolari, em entrevista à ESPN Brasil.

Um ex-treinador da Seleção Brasileira garantindo que existe manipulação de resultados no futebol do país com a segunda maior economia do mundo. Luxa terá que provar o que disse.

Mas, na realidade, o clima no “Bem, Amigos” ficou pesado, quando Caio Ribeiro, Marco Antônio Rodrigues, Lédio Carmona e Cleber Machado quiseram honrar seus diplomas de jornalistas.

Algo que ficou bem claro: Galvão queria ajudar Luxemburgo a voltar ao mercado brasileiro. O convite ao técnico era para que ele ganhasse repercussão e chamasse a atenção de algum clube do país.

No entanto, as declarações do treinador acabaram pesando. Ele respondia de maneira truculenta qualquer questão mais elaborada. Se eximiu da culpa de não falar mais de um idioma estrangeiro e ainda quis desviar as críticas para Cleber Machado.

Ora, o último título significativo que Luxa ganhou foi o Brasileiro de 2004 pelo Santos. Nos últimos sete anos, ele acumula nove demissões. Há, sim, algo para melhorar, no entanto, o técnico preferiu dizer que não está desatualizado e, quando contrariado, ergueu a voz para que pudesse ser ouvido.

Se a intenção do programa era promover Vanderlei Luxemburgo, o tiro saiu pela culatra.

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