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A Libertadores não é a Liga dos Campeões da América

por   em Editorial

Para que sejam implementadas melhorias no maior torneio de clubes da América do Sul, a Conmebol não precisa adotar o padrão europeu

Destaque A Libertadores não é a Liga dos Campeões da América Divulgação/Conmebol
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Na última terça-feira (27), a Conmebol anunciou uma série de mudanças no formato da Copa Libertadores da América. O torneio de clubes mais importante do continente passará, já no ano que vem, a ser disputado em 42 semanas, tendo jogos entre fevereiro e novembro, algo que deve valorizar a competição. No entanto, as medidas não pararam por aí e parecem ter como objetivo mexer na essência do que identificamos como o futebol sul-americano.

A Champions League é reconhecidamente o maior torneio de clubes do mundo. Orçamentos bilionários, times com os maiores craques do mundo e muita organização. No entanto, a Libertadores também tem os seus pontos fortes. Apesar de não conseguirmos segurar nossos jogadores mais talentosos por muito tempo, contamos com particularidades bem específicas e que nos diferenciam muito dos europeus.

Minha grande preocupação é Conmebol se perder no aumento do fluxo de dinheiro que deve entrar em caixa e decidir acabar com a essência do que faz a Libertadores um dos torneios mais interessantes a se acompanhar: a torcida.

O primeiro anúncio da Conmebol fazia parecer que a entidade iria apenas valorizar a Libertadores, deixando de lado a disputa insana de mata-matas em semanas seguidas. Porém, a determinação sobre a final da competição acontecer em jogo único e em campo neutro não me parece acertada.

Diga-me você, torcedor brasileiro: quais seriam as chances de o Morumbi lotar, caso a final entre Atlético Nacional-COL e Independiente Del Valle-EQU tivesse acontecido ali? O que seria da final de 2012, entre Corinthians e Boca Juniors, sem a presença de La Bombonera e do Pacaembu?

A América do Sul não é composta por um bloco unido de países de primeiro mundo como a Europa. Não há livre circulação de pessoas e o deslocamento no continente é bem mais complicado por terra e por ar.

Alejandro Dominguez, presidente da Conmebol, justificou a mudança na decisão da Libertadores, dizendo que a vantagem de se jogar em casa a segunda partida da final cria um desequilíbrio muito grande.

"Analisando as estatísticas das finais da Copa Libertadores, a equipe que jogou em casa o segundo jogo ganhou 7 das 10 finais. A justiça do esporte exige final única em campo neutro", disse.

O que me soa ridículo, uma vez que o direito de se jogar a partida mais importante da competição em seus domínios é concedido à equipe de melhor campanha, ou seja, o melhor time.

O que a Libertadores precisa é de mais organização e segurança para jogadores e torcedores. A tentativa de valorização da Conmebol é louvável, mas me parece ter pegado o rumo errado. O espírito de luta e paixão pelo futebol tem que servir de carro chefe.

A decisão da entidade também me soa como uma resignação aos padrões adotados por países que um dia foram nossos colonizadores. Como latino-americanos, temos que abraçar nossa identidade e valorizar o que temos de diferencial, caso contrário, seremos sempre uma espécie de colônia. Assunto abordado pelo ex-presidente do Uruguai, José Mujica, em entrevista ao projeto “Vestido Latino”, da jornalista brasileira Marina Lacerda Lainetti. Caso o leitor tenha interesse no assunto, clique aqui.

A Libertadores tem potencial para melhorar, só não precisa ser transformada na Liga dos Campeões da América.

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