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A constante dança das cadeiras no futebol brasileiro

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Dezenove dos vinte clubes da Série A do Campeonato Brasileiro já trocaram de técnico em 2016 e a falta de planejamento é perturbadora

Destaque A constante dança das cadeiras no futebol brasileiro Lucas Uebel/Grêmio
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No início da madrugada desta quinta-feira (15), o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, anunciou a saída do técnico Roger Machado do comando do time. Segundo o dirigente, a decisão foi unilateral, tomada exclusivamente pelo próprio treinador. O anúncio aconteceu logo depois da derrota do Tricolor Gaúcho por 3 a 0 para a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.

"Não queria aceitar a sua demissão, mas era definitiva", afirmou mandatário, após o jogo com a Ponte. "Roger afirmou que não conseguiria tirar mais do elenco que tinha em mãos e pediu para deixar o cargo. Roger foi digno, soube avaliar o trabalho que fez e pediu para deixar o cargo a nossa disposição", completou Romildo.

Roger fazia parte de um seleto grupo entre os treinadores que trabalham em times da Série A. Depois da demissão de Vágner Mancini, do Vitória, no último sábado, ele e Dorival Júnior, do Santos, eram os únicos técnicos que ainda não haviam saído de seus clubes desde o início do ano.

Ou seja, das vinte equipes que compõem a primeira divisão nacional, apenas um segue com o mesmo comandante o qual iniciou a temporada. Logicamente existem casos extraordinários, como a saída de Muricy Ramalho do Flamengo, por conta de problemas de saúde, além da ida de Tite e Edgardo Bauza para as seleções de seus países. Mas, em sua maioria, as trocas de técnicos mostram apenas falta de planejamento.

Um caso sintomático é o do Internacional. O clube colorado iniciou a temporada com Argel Fucks à frente do trabalho, o mesmo treinador que terminou 2015. Apesar do bom início de ano, com a conquista do Campeonato Gaúcho e a liderança nas primeiras rodadas do Brasileirão, a equipe nunca demonstrou um futebol bonito, era um jogo muito baseado na obediência tática, no contato físico e nas escapadas rápidas dos atacantes, principalmente com Eduardo Sasha e Vitinho.

O plano de Argel, então, não se mostrou eficiente o suficiente para a Série A e o Inter engatou uma sequência sem vitórias que o tirou qualquer possibilidade de título. Sem conseguir uma reação do time, o treinador acabou demitido no meio do ano.

Na tentativa de recorrer à história do clube, o presidente Vitório Píffero contratou o ídolo Paulo Roberto Falcão – que ainda não conseguiu fazer um trabalho consistente como técnico de futebol. Mas, em menos de um mês, a equipe colorada seguiu sem vencer – foram cinco jogos, com três empates e duas derrotas – e a diretoria do clube achou que mais uma vez era o momento de mudar.

Não bastasse trocar de técnico, todo o departamento de futebol do Inter foi reformulado, com a convocação de Fernando Carvalho para assumir o projeto. Com carta branca, o novo vice vendeu a alma para - mais uma vez - recorrer a Celso Roth, que não trabalhava desde o meio de 2015, quando saiu do Vasco.

Um mês depois, o Inter segue na sua luta contra o rebaixamento. Na noite desta quinta-feira (15), o confronto será diante do Vitória, adversário direto na luta contra o descenso. Caso vença, o atual 17º colocado conseguirá sair do Z-4. No entanto, o histórico recente do time não é animador: apenas uma vitória nos últimos 16 jogos de Campeonato Brasileiro.

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