O retorno de Messi }

O retorno de Messi

por   em Editorial

Jogador renunciou a aposentadoria da seleção dois meses após a decisão e mostrou ser imprescindível para as pretensões da Albiceleste

Destaque O retorno de Messi Reprodução/Twitter
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Acostumado a impressionar dentro de campo com dribles, jogadas de efeito e lances desconcertantes, Lionel Messi fez um “golaço” fora das quatro linhas. O craque argentino anunciou a aposentadoria da seleção após outra derrota traumática para o Chile na decisão dos pênaltis e acabou mudando o foco da imprensa e torcida.

O jogador, no entanto, negou ter anunciado a decisão após o jogo para minimizar as críticas e mudar o foco.

Independentemente se foi uma atitude planejada ou não, Messi saiu por cima de toda a situação e ainda aliviou a pressão em cima dos seus companheiros de seleção.

No Barcelona desde os seus 13 anos de idade, o argentino é tratado praticamente como um “Deus” na Espanha que lamenta profundamente que jogador não seja espanhol. Mesmo tento a opção de se naturalizar, Messi optou por jogar na Argentina. Contudo nunca agradou a imprensa local como agrada a os veículos de comunicação na Europa.

Sem conseguir um título desde a Copa América de 1993, a seleção argentina sofre uma imensa pressão da imprensa do país e dos torcedores. Por não ter jogado em nenhum time argentino como profissional, Messi não goza do mesmo em seu país natal como no Barcelona. Além disso, a maioria das pessoas criticam o craque por não conseguir render na Albiceleste da mesma forma que em seu clube, onde conquista títulos atrás de títulos.

Há 23 anos na seca, a pressão sobre a Argentina é grande e semelhante a do Brasil no período de 24 anos de seca em Copas do Mundo (entre 70 e 94). Com uma seleção extremamente qualificada, pela grande qualidade técnica dos seus jogadores, a Albiceleste vem de bons resultados nos últimos torneios, mas sem conseguir conquistar uma competição.

São três vice-campeonatos seguidos: Copa do Mundo de 2014, Copa América 2015 e Copa América Centenário 2016. Em todas elas, a Argentina terminou o tempo regulamentar empatada com seus adversários, mas acabou fracassando ou nas penalidades ou na prorrogação.

A pressão sempre foi para que Messi, o maior artilheiro da seleção argentina com 56 gols, comandasse a Albiceleste a um título. Mas o craque que sempre é comparado a Maradona não aguentou a pressão e após mais fracasso decidiu que era melhor parar e se aposentar da seleção.

Acreditando estar fazendo o melhor para todos ou, como muitos acreditam, planejando tirar a pressão em cima dos seus colegas e assumir a responsabilidade, Messi assustou a imprensa argentina e os torcedores que não esperavam tal declaração. O que seria do futuro do time sem o seu camisa 10?

A terceira derrota seguida em uma decisão de campeonato que normalmente ganharia destaque foi deixada de lado. Por semanas só se falou da decisão do craque que, após anunciar a aposentadoria na zona mista do estádio, sumiu e não deu mais entrevistas.

Messi tirou férias e aproveitou o momento difícil para mudar a cor do seu cabelo:"Em um dia particularmente difícil, eu resolvi pintar meu cabelo. Decidi que precisava começar de novo, do zero. Disse para mim mesmo que eu precisava fazer uma ruptura e começar outra vez" disse o jogador em recente entrevista.

Enquanto Messi colocava a cabeça no luar, esportistas, jornalistas, famosos e torcedores pediam que ele reconsiderasse a decisão, suplicando pela sua volta. Acostumado a dar declarações polêmicas e até criticar o jogador em algumas ocasiões, Maradona pediu para deixarem o craque em paz e dessem tempo para que ele pensasse.

Com a confusão instalada na Federação Argentina de Futebol, Tatá Martino deixou o comando da seleção e Bauza, ex-técnico do São Paulo assumiu o comando da Albiceleste. Sua primeira missão foi conversar com Messi em Barcelona para entender sua posição e tentar fazê-lo mudar de ideia. Dois dias após a reunião, Messi enviou um comunicado a imprensa renunciando sua aposentadoria da seleção.

Dois meses após a derrota na final da Copa América, Messi voltou a jogar por seu país sem sequer ter perdido uma partida. Mesmo com dores no púbis, o camisa 10 sabia da importância de uma vitória neste primeiro jogo com o então líder das Eliminatórias, Uruguai.

Com muita disposição e ligado durantes os 90, Messi além de ter feito o gol da vitória foi o principal nome da partida por ter brigado e participado do jogo a todo o momento. No entanto, as dores que o craque já vinha sentindo no púbis aumentaram e acabaram o deixando de fora da partida contra a Venezuela.

Contra a equipe lanterna das Eliminatórias, com apenas um ponto conquistado, a Argentina conseguiu um modesto empate que acabou tirando os hermanos da liderança e reforçando ainda mais a importância de Messi para a seleção. 

Messi pode ter planejado suas ações ou apenas ter agido por impulso. No entanto, no final saiu por cima, mostrando ser um jogador imprescindível para o seu país.

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