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Por onde andam os batedores de falta?

por   em Editorial

Se antes a falta era um recurso decisivo, hoje tanto o futebol brasileiro quanto o europeu passa por uma escassez de cobradores

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Você se recorda do último gol de falta feito pelo seu clube? Quem é o especialista nas bolas paradas da sua equipe? Quantos gols ele fez na última temporada somente desta maneira?

Foi-se o tempo que uma falta na entrada da área era expectativa máxima para a torcida e sinônimo de bola na rede. Um dos artifícios mais belos e técnicos do futebol está se tornado cada vez mais raro no Brasileirão nos últimos anos.

Se antigamente os zagueiros tinham que tomar cuidado com as faltas na intermediária, hoje eles já não precisam ter tanto medo. Atualmente, a bola parada virou sinônimo de bola alçada na área para algum zagueiro tentar a cabeçada. Até as jogadas ensaiadas são mais comuns que uma simples boa cobrança.

Alex, Juninho Pernambucano, Rogério Ceni, Marcelinho Carioca, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos e Djalminha, cada um a seu estilo, foram os últimos grandes cobradores de falta brasileiros.

Segundo a maioria dos ex-jogadores falta técnica, precisão e treino para os novos jogadores que parecem não ter paciência para treinar as cobranças. Em entrevista ao site “globoesporte.com”, Juninho Pernambucano disse que apesar de termos evoluído fisicamente, falta um pouco mais de dedicação dos jogadores nos treinos.

“Eu espero que a gente volte a ver gols de falta. Evoluímos na parte física. Isso é uma certeza. Mas perdemos um pouco na parte técnica. Antigamente, um jogador de meio-campo que tivesse qualidade, naturalmente, ele era um bom cobrador de falta. Cobrança de falta exige que você treine muito durante a semana e com o passar do tempo, a gente não consegue fazer os mesmos treinamentos. Porque é a mesma repetição, você tem que fazer os mesmos gestos sempre e é muito mais arriscado fisicamente” disse ex-meia do Vasco.

Além de ser um dos artifícios mais importantes durante as partidas que podem decidir um jogo, o gol de falta também encanta pela plasticidade. Quem não se recorda do gol marcado por Ronaldinho Gaúcho na Copa de 2002 contra a Inglaterra? Da bomba cheia de efeito de Roberto Carlos contra a França na Copa das Confederações em 1997? E o gol de Juninho Pernambucano contra o River Plate na Libertadores de 1998?

Mas a escassez de batedores não é “privilégio” apenas do Brasil. Na Europa, são poucos os jogadores especialistas. Messi mostrou evolução em suas cobranças e já coloca medo nos goleiros em qualquer distância. Cristiano Ronaldo segue a mesma linha, apesar de ter sido menos efetivo neste quesito nas últimas temporadas. Já Pjnaic, ex-Roma e agora na Juventus, mostrou na última temporada ter a pontaria afiada, assim como Çalhanoğlu, meia do Bayern Leverkusen. Já Payet mostrou no West Ham e na seleção francesa que é uma das principais referências neste quesito. 

Enquanto isso, na Seleção Brasileira, Neymar, William e agora Philippe Coutinho, devem continuar sendo os cobradores de Tite, apesar de todos serem especialistas apenas em faltas de média distância e estarem longe da efetividade dos jogadores brasileiros citados anteriormente.

A nós, nos resta apenas torcer para que os bons batedores de falta voltem a surgir e nos presenteiem com belos e memoráveis gols.

Alterado: Sábado, 20 Agosto 2016 14:45

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