Do 7 a 1 ao ouro olímpico: uma final cheia de simbolismos }

Do 7 a 1 ao ouro olímpico: uma final cheia de simbolismos

por   em Editorial

O destino quis que o Brasil tivesse a oportunidade de conquistar seu primeiro ouro olímpico diante dos carrascos da Copa de 2014

Destaque Do 7 a 1 ao ouro olímpico: uma final cheia de simbolismos Lucas Figueiredo / MoWa Press/CBF
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Só falta um passo. Depois da vitória esmagadora da Seleção Brasileira sobre Honduras, o time de Rogério Micale depende de mais uma vitória para fazer história e conquistar o primeiro ouro olímpico do futebol verde-amarelo. Ouro que viria cheio de simbologias.

Desde a Copa do Mundo de 2014, uma grande desconfiança decaiu sobre o futebol brasileiro. O torneio irregular do time de Luiz Felipe Scolari, com um final, no mínimo, melancólico, através da pior derrota da história do time canarinho - uma goleada sofrida para a Alemanha nas semifinais da competição, por 7 a 1, em pleno Mineirão -, acabou com a credibilidade tupiniquim dentro e fora do país.

A reconstrução do trabalho foi colocada nas mãos de Dunga. Técnico que já havia passado pelo comando da Seleção no ciclo do mundial de 2010, quando venceu a Copa América, a Copa das Confederações, se classificou para o torneio da África do Sul na primeira colocação das Eliminatórias Sul-Americanas, mas sucumbiu diante da Holanda de Wesley Sneijder e Arjen Robben nas quartas.

Mesmo apostando em um grupo mais talentoso, com qualidade técnica maior que o de 2010, Dunga não conseguiu dar um padrão de jogo eficiente ao time. Ao contrário do que aconteceu em seu primeiro ciclo, quando conseguia resultados mesmo com um futebol pragmático, não fez Neymar e companhia renderem o esperado.

A campanha ruim nas Eliminatórias, na qual o Brasil se encontra atualmente na sexta colocação, e um desempenho pífio na Copa América Centenário, competição da qual foi eliminado ainda na primeira fase, mesmo estando em um grupo que tinha Equador, Peru e Haiti, fizeram com que Dunga fosse despedido dois meses antes dos Jogos Olímpicos.

A CBF, então, fez o que deveria ter feito em 2014: contratou Tite para o cargo de comandante técnico da Seleção Brasileira. No entanto, sem tempo para trabalhar, ele abriu mão de participar da Rio-2016.

A oportunidade, então, caiu no colo de quem realmente deveria estar escalado para treinar o time que mais uma vez buscaria o ouro olímpico desde o início da preparação: Rogério Micale.

Desconhecido do grande público, Micale é o treinador da Seleção sub-20 e toca o projeto da sub-23 desde 2014. Era ele o responsável por acompanhar os jogadores que poderiam chegar aos Jogos Olímpicos, Dunga apenas acompanhava o trabalho.

Aí entrou a continuidade, palavra-chave que falta no vocabulário do futebol tupiniquim. Depois de dois anos de trabalho, os jogadores, que já estavam acostumados a trabalhar sob a batuta de um técnico, seriam entregues a outro, com conceitos totalmente diferentes e ideias antagônicas.

Já com o seu trabalho estabelecido, Micale aproveitou as duas semanas de treinamentos que teve na Granja Comary para aperfeiçoar alternativas táticas para a Seleção. Apostando na ofensividade, criou uma expectativa muito grande tanto da imprensa, quanto da torcida.

Muito diferente da goleada construída na tarde de quarta-feira, com dois gols de Neymar, Gabriel Jesus e Luan, o Brasil começou a disputa dos Jogos Rio-2016 jogando mal e sofrendo algum sufoco nos empates sem gols diante da África do Sul e Iraque.

O esquema 4-3-3, com o meio-campo composto por Thiago Maia, Renato Augusto e Felipe Anderson municiando o ataque com Neymar, Gabriel Jesus e Gabigol não fluiu.

A partir daí vieram as críticas, ao contrário do bom momento vivido pela Seleção Feminina, que vinha atropelando seus adversários, a masculina não engrenava. Micale, então, resolveu ajeitar o time na base da conversa.

Apesar de haver uma hierarquia bem definida, o treinador não deixou de pedir desculpas ao volante Thiago Maia, por exemplo, quando resolveu tirá-lo do time quando voltou de suspensão. Gabriel Jesus também recebeu uma atenção especial do comandante após perder chances claras de gols nas primeiras duas partidas.

Micale chegou a fazer um desabafo durante uma reunião de rotina, na noite do dia 8, já quando a Seleção se encontrava em Salvador. Ele pediu que os atletas tomassem um tempo para refletir o motivo pelo qual vinham de dois empates sem gols.

Diante da Dinamarca, uma vitória era necessária para que o Brasil se classificasse sem depender de outros resultados. Assim, Micale resolveu utilizar seu plano B: um esquema 4-2-4, com Luan entrando no time, no lugar de Felipe Anderson.

Com a mudança de esquema, veio também a mudança de postura. Brasil 4 a 0 e classificação garantida. Diante da Colômbia, um resultado de 2 a 0 e uma partida que exigiu muito controle emocional.

Depois dos 6 a 0 sobre Honduras, o Brasil chega em seu melhor momento na competição para disputar o ouro, às 17h30 de sábado (20), no Maracanã.

Esta será a primeira vez que o time canarinho enfrenta a Alemanha depois da Copa de 2014. Cheio de expectativa, o jogo deverá trazer uma carga emocional muito grande e um sentimento de revanche aflorado pelo lado dos brasileiros, apesar de nenhum deles ter estado em campo no desastre do Mineirão.

Uma vitória no sábado pode trazer não só a tão desejada medalha de ouro olímpica, mas também a volta de dignidade do futebol brasileiro. Com Tite à frente do projeto do time principal e Micale nas categorias de base, o sentimento de renovação já começou a se instaurar na gestão do selecionado canarinho.

Neste contexto, a conquista do primeiro título de expressão mundial dentro de casa poderia ratificar o início da retomada do protagonismo brasileiro no cenário do futebol. Uma vitória em cima da seleção responsável pela última humilhação viria como um bônus.

Em 1950, o Maracanazzo, em 2014, o 7 a 1, em 2016 a tão aguardada medalha de ouro.

Alterado: Quinta, 18 Agosto 2016 02:08

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