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O futebol brasileiro está estagnado

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Dois anos após a derrota vexatória para a Alemanha, os clubes brasileiros continuam errando nos mesmos pontos

Destaque O futebol brasileiro está estagnado Reprodução/Site CBF
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Na próxima segunda-feira, o novo treinador da Seleção Brasileira, Tite, deve fazer a sua primeira convocação para duas partidas das Eliminatórias da Copa. A expectativa sobre o treinador é grande. Mas não se iluda, pois Tite não irá resolver sozinho os problemas do futebol brasileiro.

Não há dúvida que o ex-treinador do Corinthians é a pessoa mais indicada ao cargo. Tite é infinitamente mais capacitado que Dunga para comandar a seleção canarinho e não irá se contentar com atuações fracas, com um time sem padrão de jogo e intensidade, algo comum com o seu antecessor. O Brasil terá um comandante inquieto, que busca a perfeição do time e que tenta tirar o máximo dos jogadores.

No entanto, Tite não poder ser tratado nem exigido como salvador da pátria. A seleção brasileira é apenas o ponto mais alto de um problema muito maior. Lá é o lugar onde todas as deficiências do nosso futebol acabam sendo expostos.

E nos insistmos em cometer os mesmo erros de sempre.

Um deles é a gestão amadora de alguns clubes brasileiros que ficam evidentes ao passar do tempo, com as decisões tomadas e alteradas rapidamente na busca por resultados imediatos.

No final do ano passado o Cruzeiro optou por efetivar o até então auxiliar Devid, ex-atacante. Sem experiência de comandar de qualquer clube, o ex-jogador até teve um bom aproveitamento. Foram 11 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas no comando da Raposa. Porém, a diretoria exigiu de Deivid padrão de jogo, consistência e boas atuações, algo muito difícil para um treinador que estava no comando do seu primeiro clube profissional e um time ainda em processo de formação.

Deivid foi demitido sem ter tempo de tentar recuperar o seu trabalho. A Raposa então ousou e foi buscar o ex-treinador da seleção portuguesa, Paulo Bento, no meio da temporada. No entanto, o Cruzeiro ignorou o fato do técnico ser estrangeiro e precisar de um tempo a mais para se adaptar ao futebol brasileiro. Confiou em uma rápida ascensão do clube e deixou a clausula de rescisão de Paulo Bento alta, confiando em um trabalho duradouro. Poucas semanas depois, sem ter o tempo hábil para conhecer o clube e montar a equipe do jeito ideal, o técnico luso também foi demitido pelo imediatismo de um trabalho que ainda não havia vingado.

O resultado já era esperado. Sem paciência, o Cruzeiro, que foi campeão brasileiro em 2013 e 2014 e elogiado por dar tempo a Marcelo Oliveira desenvolver o seu trabalho desde o início da temporada, retrocedeu no tempo. Assim como vários clubes brasileiros, a diretoria da Raposa parece confusa, ambígua e perdida. Em menos de seis meses mudou o seu planejamento da água para o vinho. Começou 2016 apostando no trabalho de um treinador sem experiência alguma no comando de uma equipe profissional, barato, mas promissor. Quatro meses depois mudou o planejamento e buscou um treinador com experiência internacional, caro, na expectativa de que todos os problemas fossem resolvidos rapidamente.

Nada deu certo e continuará dando errado se insistirmos em fazer as mesmas coisas de sempre, creditando e exigindo das pessoas erradas. O futuro do nosso futebol continua incerto e longe do caminho ideal.

Alterado: Sábado, 13 Agosto 2016 11:05

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