Arbitragem de qualidade depende da profissionalização }

Arbitragem de qualidade depende da profissionalização

por   em Editorial

Enquanto os clubes aumentam suas coleções de DVD's do Brasileirão, eles deveriam cobrar melhores condições de trabalho à CBF

Destaque Arbitragem de qualidade depende da profissionalização Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Gostou: avalie
(0 votos)
Publicidade

O final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro trouxe consigo uma disputa muito acirrada na ponta da tabela, com sete equipes brigando pelo título simbólico da metade inicial da competição. No entanto, a 19ª rodada também foi marcada por uma discussão recorrente desde o início do certame: os erros de arbitragem.

O lance responsável pela maior repercussão acabou sendo a voadora do goleiro corintiano Cássio no atacante cruzeirense Ábila, no Pacaembu. O jogador da Raposa estava entrando em direção ao gol, foi acertado pelo atleta alvinegro dentro da área, mas Dewson de Freitas nada marcou. No final da partida, o placar ficou empatado em 1 a 1.

A revolta cruzeirense foi tão grande que a assessoria de imprensa do clube resolveu divulgar uma foto do joelho de Ábila cheio de marcas após o confronto. A diretoria também garantiu que vai tomar as medidas cabíveis junto à comissão de arbitragem da CBF, algo que já foi feito por Palmeiras, Internacional e Flamengo este ano.

DVD’s relatando os erros se multiplicam, o problema é que a questão central para solucionar a situação não está sendo discutida. Aliás, já foi, exaustivamente, só não é colocada em prática.

O Inter, há onze partidas sem vitória no Brasileirão, chegou a pedir que árbitros paulistas não apitassem mais seus compromissos. Não é bem por aí.

A palavra-chave é PROFISSIONALIZAÇÃO.

Nos últimos trinta anos, principalmente, o futebol se tornou um negócio. Uma das principais “máquinas de dinheiro” já inventadas pelo homem. Jogadores, dirigentes, jornalistas, publicitários, empresários, ganham muita grana com o esporte mais popular do planeta. Integrantes destas classes conseguem garantir seus sustentos exclusivamente do futebol.

O que nos intriga é que uma das engrenagens mais fundamentais deste negócio ainda é composta por amadores no Brasil.

Os árbitros não têm carteira assinada, vínculo empregatício ou qualquer garantia de que vão receber salário no próximo mês, uma vez que só são pagos pelas partidas em que atuam e, portanto, se acabam na “geladeira” da CBF por algum motivo, não recebem nada. Eles são reféns de escalas e sorteios.

Sobre a estrutura de treinos nem se fala. Os árbitros são responsáveis pelo seu preparo físico, médico e nutricional, além de não contar nenhum amparo para bancar este tipo de custos, apenas os valores recebidos pelas partidas em que trabalham.

O desempenho está diretamente ligado às condições de trabalho. Os clubes querem uma arbitragem de melhor qualidade. Sendo assim, que eles exijam a profissionalização das pessoas que garantem a ordem nas partidas, pois o ato de entregar um DVD culpando a outra vítima pelos erros do sistema não vai adiantar em nada.

Entre ou criar uma conta

fb iconAcesse com Facebook