Crise sem idade }

Crise sem idade

por   em Editorial

Seleção olímpica masculina, uma das mais qualificadas das Olimpíadas, acumula decepções e vai pressionada em busca da classificação

Destaque Gabriel jesus e Gabigol em treino da seleção Divulgação / CBF Gabriel jesus e Gabigol em treino da seleção
Gostou: avalie
(0 votos)
Publicidade

Seguindo os passos do time principal, a seleção olímpica masculina tem conseguido enfileirar uma sequência incrível de insucessos. Na partida contra o Iraque, a equipe brasileira empatou em 0 a 0 pela segunda vez no torneio olímpico. O Brasil agora precisa de uma vitória contra a Dinamarca quarta-feira em Salvador para se classificar à próxima fase.

Talvez mais impressionante que a fase negativa da equipe seja a dificuldade em admitir suas próprias falhas. Tanto na partida de estreia, contra a África do Sul, quanto no segundo empate na fase de grupos diante do Iraque, os atletas brasileiros afirmaram com veemência que a seleção foi bem. Usando as já conhecidas respostas "protocolares", algo comum entre a maioria dos jogadores brasileiros, eles minimizaram maiores problemas no time nacional.

"A gente sabe que está faltando só o gol, estamos mostrando um belo futebol, com a cara do Brasil, indo pra cima. Está faltando o gol. A gente tem criado situações, é só o gol.... Falo 'só', mas é algo muito importante no futebol, claro", disse o palmeirense Gabriel Jesus, que já está vendido ao Manchester City, da Inglaterra.

“Faltou só a bola entrar, quando a bola entrar o peso vai sair. Acho que nossa equipe jogou muito bem e faltou só fazer um gol. A bola não está entrando. A gente espera caprichar mais um pouquinho ali na finalização e então ter sorte da bola entrar”, garantiu o outro Gabriel, o Barbosa. O atacante do Santos já havia usado a mesma expressão - "o Brasil jogou bem" - ao se referir à atuação da equipe diante da África do
Sul.

A atitude mostra a dificuldade que boa parte dos jovens futebolistas brasileiros tem em lidar com a adversidade. Desde cedo, eles vivem blindados por uma equipe de profissionais, desde empresários até seguranças particulares, sempre prontos a afirmar quão bons eles são. Frente a uma seleção limitada mas esforçada, como o Iraque, por exemplo; a seleção se mostra nervosa à medida que o tempo avança, e se comporta com um desespero que não condiz com o talento de seus atletas.

Afinal, não se pode dizer que os resultados abaixo do esperado nos dois primeiros jogos da Olimpíada sejam culpa de um time sem qualidade. Muitos dos jogadores que representam o país já ocupam papéis de destaque em grandes clubes do Brasil ou mesmo no futebol do exterior.

Pelo que tem apresentado até aqui, a seleção olímpica brasileira, umas das mais fortes do torneiro e candidata ao ouro, flerta com mais um vexame.

Alterado: Segunda, 08 Agosto 2016 11:04

Entre ou criar uma conta

fb iconAcesse com Facebook