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E aí, o ouro olímpico vem?

por   em Editorial

Com um trabalho desenvolvido por Rogério Micale desde 2014, a CBF começa a entender que a vitória não depende apenas de talento

Destaque E aí, o ouro olímpico vem? Assessoria CBF
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Às 16h desta quinta-feira (4), a Seleção Brasileira começa - mais uma vez - a sua odisseia em busca do único título ainda não conquistado pela time canarinho: a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos. Desta vez, a esperança da CBF está depositada no badalado trio de ataque com Neymar, Gabriel Jesus e Gabigol, além do “moderno” técnico Rogério Micale. Mas no atual panorama do futebol brasileiro, o ouro pode vir?

Qualquer previsão feita no momento corre o risco de ser furada, no entanto, chances sempre existem, principalmente com o time talentoso montado pela atual comissão técnica. Não é exagero dizer que entre as seleções participantes, a tupiniquim é a que tem os jogadores mais técnicos.

O problema não está exatamente na qualidade dos atletas, haja vista as edições passadas das olimpíadas. Talvez em Pequim realmente o grupo levado pela Argentina fosse melhor, com Messi, Aguero, Riquelme e Di Maria. Mas em Londres, em Atlanta, Seul e até em Sidney, sem nenhum jogador acima dos 23 anos, o Brasil tinha o grupo mais qualificado.

O resultado não veio pela falta de um projeto, a continuidade de trabalho profissional. Se Dunga não tivesse sido demitido após a campanha pífia da Seleção na Copa América Centenário, ele substituiria Micale no comando do time sub-23 faltando um mês para o início dos Jogos Rio-2016.

Ou seja, um trabalho de dois anos, iniciado em 2014 por um técnico, seria entregue a outro justamente no momento crucial. Não existe coerência. E o pior é que este tipo de ação faz parte do modus operandi da CBF há muito tempo.

A chave do sucesso no futebol atual é o planejamento e o trabalho contínuo. Já começou a ser especulada uma seleção permanente sub-23 pela nossa confederação, coisa que já deveria ter acontecido. O acompanhamento dos potenciais jogadores desde a pré-adolescência, o cadastramento de promessas, a exigência de uma organização maior das categorias de base nos clubes.

O lado bom de toda a situação é que já dá para ver que o processo de modernização começou a acontecer. Ainda de maneira tímida, mas que deverá ter a colaboração de Tite e Edu Gaspar na Seleção principal. Começando no time de cima, a tendência é que o trabalho nas categorias de base siga o exemplo, com o coordenador Erasmo Damiani.

É visível a preocupação que a CBF vem tendo nos últimos anos de garantir que os atletas que saíram muito jovens do Brasil para jogar no exterior não percam a vontade de representar a amarelinha. Apesar de ser muito pouco, é um trabalho que deve trazer resultados no futuro, Rafinha Alcântara é exemplo disso.

O futebol moderno exige mais que talento. Planejamento, continuidade, preparação física e um plano tático bem definido são fundamentais para a construção de times vencedores. Agora, é torcer para que a visão arcaica de futebol de dirigentes como Marco Polo Del Nero não atrapalhe a renovação do trabalho na CBF.

Além disso, a torcida fica para que o início de projeto tocado por Rogério Micale já possa ser o suficiente para a conquista do ouro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. E, caso seja, que ele não pare por aí.

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