O brasileiro não gosta de esporte. Gosta de campeões! }

O brasileiro não gosta de esporte. Gosta de campeões!

por   em Editorial

Há algum tempo eu li um texto que dizia que o brasileiro não gosta de esporte, mas sim de campeões. O texto falava que cada modalidade só era vista com bons olhos, e praticada, quando tinha algum compatriota lutando pelos lugares mais altos do pódio, citando exemplos como Ayrton Senna e Guga, na Fórmula 1 e no tênis, respectivamente.

 

Destaque Aclamado como herói, Anderson Silva popularizou a luta esportiva no Brasil. Marcelo Santos/ GERJ - Lutador Anderson Silva inaugura escola de artes marciais na Rocinha, no Rio de Janeiro Aclamado como herói, Anderson Silva popularizou a luta esportiva no Brasil.
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De pronto eu concordei com o texto. Nós, brasileiros, somos assim mesmo. Basta alguém se destacar para virar exemplo. Para percebermos como somos extremamente volúveis, basta lembrarmos do Pan de 2007, disputado no Rio de Janeiro.

Naquela competição o nadador Thiago Pereira deu show nas piscinas, ganhou inúmeras medalhas e despontava como o futuro da natação brasileira. Para os torcedores não importava que o time dos Estados Unidos fosse um time B, ou C, ou que nadadores de outras potências das piscinas não tenham disputado a competição. Um ano depois, nas Olímpiadas de Pequim, Thiago era a melhor chance de ouro que o Brasil tinha nas piscinas chinesas.

Thiago Pereira realmente é um grande nadador, digno de todas as honras, mas a verdade é que a pressão da mídia e o fato de que os outros grandes nadadores do mundo competiam nas mesmas provas que ele, acabaram derrubando o brasileiro. E quem se destacou foi Cesar Cielo, que acabou ganhando o ouro olímpico e os holofotes.

Só que quatro anos depois, em Londres 2012, Cielo não conseguiu repetir o ouro de Pequim. E o que aconteceu? Foi esquecido. Tirando alguns apaixonados por esporte (daqueles que assistem até campeonato de cuspe a distância) e os praticantes de natação, ninguém sabe, ao certo, onde Cesar Cielo está.

E assim como os dois nadadores, Senna e Guga, tivemos inúmeros atletas na mesma situação, como a ginasta Daiane dos Santos e, até mesmo, a seleção masculina de vôlei.

Sim, por mais que muitos não concordem, coloco os rapazes do vôlei nessa, pois, já faz tempo que eles não ganham algum campeonato importante e, dessa maneira, muitos nem conhecem os jogadores que formam a seleção atual. Diferente de alguns anos, quando tínhamos a convocação do Bernardinho na ponta da língua, quando a equipe vencia tudo o que disputava.

Mas o caso do vôlei é menos preocupante, pois daqui a pouco surge uma nova safra de jogadores, que se destaquem e, dessa forma, a equipe engrena e voltamos a disputar títulos.

MMA

Outros dois bons exemplos são o MMA e o surfe. Há algum tempo era praticamente impossível não conhecer um ou dois lutadores de MMA, assistir um programa esportivo que não dedicasse um tempo, ainda que mínimo, às lutas. Mas, com o tempo, isso foi mudando.

Cada vez menos brasileiros foram se destacando, os lutadores do país começaram a perder os títulos de campeões e, via de regra, as audiências das lutas foram diminuindo. Hoje apenas aficionados sabem dias e horários das lutas.

Já o surfe está (com o perdão do trocadilho) na crista da onda. Os dois últimos campeonatos mundiais foram conquistados por brasileiros (Gabriel Medina em 2014 e Mineirinho em 2015) e a procura por pranchas e artigos do esporte disparou. O esporte teve um crescimento excelente, tanto na audiência quanto no interesse pela prática do mesmo.

Mas esse quadro pode mudar, infelizmente. É só um brasileiro sair do topo que a popularidade do esporte despenca.

Mas esses ainda são bons exemplos. Temos outros exemplos piores do que os já apresentados. É o caso daquelas modalidades que, mesmo ganhando títulos, disputando competições importantes e representando o Brasil de maneira maravilhosa, não tem o mesmo prestígio (mesmo que momentâneo) dos outros esportes, como é o caso do Handebol feminino, que conquistou o mundial em 2013, e da pentatleta Yane Marques, que ganhou o bronze na última olimpíada.

Infelizmente ainda somos o país apenas do futebol. Uma pátria que chora após levar uma goleada em uma competição onde, ainda, somos os maiores vencedores, mas que debocha de um atleta brasileiro, de outro esporte, que tem um desempenho mediano em uma competição grande, como uma Olímpiada. Um país que cobra resultados, mas que se esquece de brigar por investimentos no esporte.

Quem sabe ainda vivo o suficiente para ver esse quadro mudar...

 

Alterado: Terça, 23 Fevereiro 2016 11:02

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