Uma seleção de respeito }

Uma seleção de respeito

por   em Editorial

Seleção brasileira feminina não é favorita, mas pode surpreender nestas Olimpíadas jogando diante do seu torcedor

Destaque Uma seleção de respeito Ricardo Stuckert/CBF
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As Olímpiadas começam na próxima sexta-feira e no futebol só se fala do ouro que os homens podem conquistar pela primeira vez. Neymar, Gabriel Jesus, Gabigol e Luan são as estrelas do momento na mídia esportiva brasileira. No entanto, não podemos deixar as nossas meninas do futebol de lado.

Ao contrário dos homens, as mulheres demoraram quase um século para entrar como modalidade dos Jogos Olímpicos. A estreia do futebol feminino foi nos Jogos de Atlanta, em 1996. De lá para cá já foram 5 edições com quatro vitórias dos EUA e uma da Dinamarca em 2000.

O Brasil esteve muito perto do ouro em 2004 e 2008. No entanto, em ambas as edições acabou levando um gol na prorrogação, ficando com a medalha de prata. Nas Olímpiadas de Londres caiu nas oitavas de final para o Japão, equipe campeã mundial em 2011.

Para a edição dos jogos do Rio de Janeiro os EUA são as favoritas mais uma vez. Campeãs do mundo em 2015, as americanas serão as jogadoras a serem batidas. Lideradas por Carli Lloyd, atual vencedora do Prêmio Bola de Ouro da Fifa, a seleção com maior númerode títulos dos Jogos conta ainda com as experientes Hope Solo, Alex Morgan e Tobin Heath para tentar levar o quinto ouro.

Ao contrário das norte-americanas, o futebol feminino no Brasil caminha a passos lentos. Enquanto os homens recebem salários astronômicos e tem nos times de ponta toda a infraestrutura adequada para a prática esportiva, as mulheres sofrem com o descaso da CBF, a falta de campeonatos qualificados e duradouros, além da precária infraestrutura que encontra nos clubes e os baixos salários.

No entanto, após a entrada de Vadão no comando do time e a vergonhosa eliminação do futebol masculino na Copa do Mundo de 2014, a CBF optou por montar uma seleção permanente. Ou seja, passou a pagar salário para as jogadoras da seleção que há dois anos treinam juntas a maior parte do ano, visando justamente os Jogos do Rio de Janeiro.

Com as jogadoras focadas e um bom elenco montado, Vadão e 18 atletas convocadas também buscam a tão sonhada medalha de ouro do futebol. Em duas edições já estivemos muito perto de conseguir tal feito e é por este objetivo que Marta, a rainha do futebol, diz que jogará até de zagueira se for preciso, ressaltando o valor de todo o grupo:

“Não vai ser sempre que a Marta que vai fazer o gol, mas participando de alguma maneira, buscando sempre o objetivo que é a vitória. Isso que é importante. A gente não está aqui para consagrar um ou outro atleta. Estamos aqui para consagrar uma equipe, um trabalho que está sendo feito com bastante vontade. É isso que a gente vem buscando. Se tiver que correr, jogar de zagueira ou lateral vai jogar independente da posição. Tudo é sempre buscando o melhor para a equipe”.

Enquanto exigimos maior comprometimento, menos individualismo e mais disposição em campo para os jogadores da seleção masculina, as mulheres, muito menos valorizadas no esporte, com certeza dão um banho em todos há muito tempo.

Alterado: Sábado, 30 Julho 2016 11:04

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