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Neymar, vá para as baladas, sim!

por   em Editorial

Cobrado por atitudes fora dos campos, o astro brasileiro é vítima da paixão dos torcedores e da imprensa oportunista

Destaque Neymar, vá para as baladas, sim! Reprodução/Instagram
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Durante a entrevista coletiva concedida por Neymar na última terça-feira, o camisa 10 da Seleção Brasileira teve que responder uma pergunta que na realidade nada tem a ver com futebol, apenas com polêmicas vazias.

Um jornalista presente na Granja Comary pediu que o astro do Barcelona comentasse acusações de individualismo e falta de comprometimento com o time canarinho, lembrando do episódio do início do ano, em que Neymar foi visto em uma festa logo depois de ter sido suspenso por ter recebido dois cartões amarelos na partida contra o Uruguai, pela 5ª rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018.

Ao escutar o questionamento, Neymar sorriu e disse ironicamente: “Só pode estar de brincadeira”. Respirou fundo, bebeu água e explicou o que acha sobre o tema.

“Tem que ver as coisas que faço dentro de campo. Fora, são coisas particulares. Quando estou fora do campo, independentemente de qualquer coisa, é minha vida particular. Tem que me cobrar dentro de campo, não tenho problema nenhum em falar sobre cartões, expulsões. Tenho vida particular, sou um cara de 24 anos. Sou novo, tenho minhas conquistas, minhas coisas. Sou muito tranquilo quanto a isso, tenho meus erros também. Não sou um cara perfeito. Também gosto de sair, de me divertir com meus amigos, tenho família, amigos. Por que não posso sair, ir para a balada? Posso sim e eu vou. Independentemente de qualquer coisa, se tenho consciência do meu dever no dia seguinte, não vejo problema nenhum. A partir do momento que eu sempre me entrego, tento sempre fazer meu melhor, meu máximo, não há problema. Erro sim e ainda vou errar, isso é normal para um ser humano. Sou dos mais experientes aqui e não é por isso que sou perfeito. Pelo contrário. Estou aprendendo cada vez mais com os meninos mais novos que eu”, disse o atacante do Barcelona, chamando a pergunta de ‘maldosa’.

Concordo em gênero, número e grau com o que Neymar falou. Muito se fala da vida que ele leva fora dos campos, das festas que frequenta, das mulheres que ele namora e do dinheiro que ele gasta, mas ele ganhou fama pelo que vem fazendo dentro das quatro linhas.

Enquanto seu desempenho não estiver sendo afetado por sua vida particular, não existe motivos para reclamar do principal expoente do futebol brasileiro no mundo.

No caso citado pelo jornalista, Neymar tinha sido suspenso por conta do segundo cartão amarelo recebido nas Eliminatórias e não poderia jogar a partida seguinte contra o Paraguai. Ou seja, ele não poderia ajudar a Seleção Brasileira em nada na sexta rodada do torneio classificatório para o mundial. Como todos os outros, o atacante só poderia torcer.

Dunga, treinador do time canarinho na ocasião, mesmo sendo conhecido por demandar comprometimento total de seus atletas, entendeu que não tinha motivos para repreender Neymar.

"Não posso querer que os jogadores tenham o mesmo comportamento, joguem ou pensem da minha forma. O mais importante é que ele jogue o melhor possível quando estiver na seleção e que consigamos tirar o melhor dele para conseguirmos excelentes resultados", disse o treinador na ocasião.

É muito fácil apontar o dedo para um jovem adulto de 24 anos que ganha milhões e dizer que ele é inconsequente. Mas quem na idade dele não gostaria de curtir o seu dinheiro?

Neymar não é perfeito, como mostram os problemas que está enfrentando com a Justiça da Espanha e do Brasil, mas não é por conta de alguns goles de cerveja ou de baladas que ele deve ser crucificado. Há quem diga que o jogador é uma pessoa pública e por esta razão deveria dar o exemplo, mas até onde eu sei ir a festas não é crime. Usar seu próprio patrimônio para se divertir também não.

O problema todo na história é que o futebol mexe com a emoção das pessoas. Muitos torcedores não conseguem ser racionais o suficiente para entenderem que jogar bola é apenas uma profissão e que os atletas têm direito a uma vida pessoal como todos nós. Esta diferenciação entre o privado e o profissional fica ainda mais difícil em momentos ruins, como o que a Seleção Brasileira vem passando desde o fatídico 7 a 1 imposto pela Alemanha, na semifinal da Copa de 2014, no Mineirão.

É aí que a imprensa se aproveita. Na tentativa de criar factoides e polêmicas vazias, usa momentos de lazer de Neymar para tentar justificar um rendimento abaixo do esperado e que muitas vezes nem é de sua responsabilidade.

Neymar é um profissional do futebol, mas não precisa ser o jogador 24 horas por dia durante os 365 dias do ano. Suas obrigações ficam nos treinos, nas partidas e nos compromissos impostos por seu clube e pela Seleção Brasileira. Em qualquer outro momento ele pode, sim, ser apenas ‘Neymar, o jovem rico de 24 anos’.

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