O futebol contra o torcedor comum }

O futebol contra o torcedor comum

por   em Editorial

Torcedor brasileiro está pagando a conta das más administrações no clubes

Destaque Preço dos ingressos tem sido um dos motivos da falta de torcida Reprodução / pixabay Preço dos ingressos tem sido um dos motivos da falta de torcida
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Além da supervalorização dos jogadores (ou pou causa dela), temos acompanhado no futebol brasileiro um outro "fenômeno": o custo de ver seu time de futebol no estádio. O pacote, que inclui ingresso, transporte e eventualmente estacionamento e alimentação, dentre outros gastos; está ficando mais caro. Muito caro.

Fred Melo Paiva, que escreve para o "Estado de Minas", relatou a situação vivida por ele, que é fanático pelo Atlético-MG. "Ao convidar minha diminuta família (dois adultos e uma criança de 8 anos) para o programa banal de ir a um estádio num dia de domingo, descobri que a conta chegaria perto dos R$ 500. Quinhentas pilas, pessoal."

Leia também: A supervalorização dos jogadores

O título da coluna: "Como matar o futebol". Fazendo uma comparação com o preço de outros "passeios", como cinema e viagens, Paiva constatou o que se tornou corriqueiro: assistir a um jogo de futebol no estádio tem sido um programa que não compensa. Pelo menos, para a maioria dos brasileiros, assalariados.

O jornalista conclui: "Tá claro que eu não sou público pra essa festa. Tô sobrando igual favela carioca na Olimpíada".

Os clubes brasileiros têm tentado tornar a relação com a torcida mais próxima. Investem em programas de sócio-torcedor, modernizam seus estádios, que a partir de então passam a ser denominados "arenas", e tentam proporcionar um conforto maior a quem deseja assistir a uma partida. Grande iniciativa, que não precisa ser tão cara. Mesmo que "tenha quem pague".

Não é justo depositar a conta de todo esse investimento no torcedor de estádio. Ainda mais porque, como é notório, o futebol é um negócio que gera bastante dinheiro, que os clubes em geral não investem direito. Diretorias costumam bancar atletas e técnicos caríssimos gastando verbas que não possuem, e ainda deixam a dívida para as administrações seguintes.

É ótimo e necessário que os estádios brasileiros estejam cheios, e também que as equipes possam se manter dependendo cada vez menos de cotas televisão, por exemplo. Aliás, não é raro encontrar dirigentes que gastam as referidas cotas antemão, deixando também uma fonte de receita a menos para os próximos cartolas que assumirem seus clubes.

O futebol é uma paixão de muita gente no Brasil. A única paixão de alguns. Explorar essa paixão não é a resposta para o falido futebol brasileiro.

Alterado: Segunda, 25 Julho 2016 12:59

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