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O futebol brasileiro e o desperdício de bons valores

por   em Editorial

Bruno Peres passou de reserva do Santos a jogador cobiçado por Pep Guardiola. Como assim? 

Destaque O futebol brasileiro e o desperdício de bons valores Divulgação/Torino
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Uma notícia veiculada pela imprensa internacional durante esta semana me pegou de surpresa: Pep Guardiola está querendo levar o lateral-direito Bruno Peres para o Manchester City. O Barcelona também estaria de olho no brasileiro, principalmente após a saída de Daniel Alves, que se transferiu para a Juventus. Inter de Milão e Roma já teriam feito proposta de R$ 43 milhões para que o Torino libere o jogador.

Para quem não se lembra, Bruno foi revelado pelo Audax, se destacou pelo Guarani no Paulistão de 2012 e depois conseguiu se transferir para o Santos, onde atuou com Neymar e fez parte do grupo que conquistou a Recopa Sul-Americana do mesmo ano.

No Alvinegro Praiano o lateral-direito fez 69 jogos e marcou quatro gols, em uma passagem que durou dois anos. Nunca foi titular absoluto ou muito querido pela torcida, cumpriu seu papel sem muito destaque e quando foi negociado com o Torino, em junho de 2014, era apenas um reserva de Muricy Ramalho. Sua venda rendeu 2 milhões de euros ao Peixe, cerca de R$ 6,2 milhões na época.

A partir daí a carreira de Bruno mudou da água para o vinho. No Torino, ele viu seu futebol crescer, fazendo com que se tornasse um dos principais jogadores da equipe granata. Agora, depois de completar sua segunda temporada na Itália deve se transferir para um dos grandes clubes da Europa.

Mas fica a pergunta: como Bruno passou de reserva do Santos a jogador de R$ 43 milhões cobiçado pela Roma, Inter de Milão, Manchester City e Barcelona?

No atual momento de crise do futebol brasileiro, em que muita gente diz que o país já não revela tantos atletas de alto nível como antigamente, fica claro que o problema não é o material humano, mas sim a maneira como ele é aproveitado.

O Torino viu em Bruno Peres o potencial que o Santos até pode ter visto ao contratá-lo depois de sua passagem pelo Guarani, mas esqueceu ao longo do caminho. Em seus dois anos na Vila, o lateral não teve a estrutura ou o acompanhamento necessário para que se desenvolvesse de maneira a assumir a titularidade no time, visando uma venda mais lucrativa em médio prazo.

Não que ele fosse se tornar um craque, mas se o Torino, time de médio da Itália, conseguiu achar nele um lateral-direito com potencial para ser vendido por R$ 43 milhões, o Santos, conhecido por seu trabalho de base impecável e gigante, também teria condições de fazer o mesmo.

A situação não é exclusiva do Peixe. Outro exemplo é Casemiro. Joia de Cotia, surgiu muito bem no São Paulo, mas acabou se acomodando e perdeu espaço no elenco tricolor antes de ser emprestado ao Real Madrid e depois vendido por R$ 15,8 milhões, em junho de 2013.

O valor não é dos mais baixos, porém, três anos depois o volante terminou a temporada como titular da conquista da Liga dos Campeões e convocado pela Seleção Brasileira para a Copa América Centenário. Seu valor de mercado atual é de R$ 58 milhões.

Quem do São Paulo apostaria nisso no início de 2013? Acredito que ninguém.

Marquinhos, revelado pelo Corinthians, zagueiro de ótimo potencial, com passagem pelas categorias de base da Seleção Brasileira. Primeiro foi emprestado à Roma por R$ 3,9 milhões e depois vendido por apenas R$ 9,2 milhões. Um ano depois se transferiu para o Paris Saint-Germain em um negócio que envolveu R$ 101,5 milhões. Na época foi o terceiro zagueiro mais caro da história do futebol mundial.

Exemplos não faltam, o que falta no futebol brasileiro é organização. Diariamente talentos são desperdiçados por pura falta de capacidade dos clubes. Os dirigentes compram atletas sem qualquer tipo de planejamento e, em conjunto com as comissões técnicas das equipes, queimam atletas promissores antes de analisarem se realmente eles não podem render o necessário para despontarem.

Além da perda esportiva, os clubes também pagam caro pela situação.

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