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O ídolo global que se crê semi-Deus

por   em Editorial

Comportamento de Cristiano Ronaldo fora de campo mostra que futebol não é o foco do craque

Destaque Cristiano comemora um de seus gols por Portugal Reprodução/Flickr Cristiano comemora um de seus gols por Portugal
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Após o empate de Portugal com a Islândia, pela primeira rodada da fase de grupos da Eurocopa, Cristiano Ronaldo disse que o adversário tinha “mentalidade pequena” e que não iria “fazer nada na competição”.

Curiosamente, as duas afirmações descrevem perfeitamente as atuações de Ronaldo na própria Euro. Pelo menos até aqui.

Ainda por cima, serviram para levantar questões sobre o comportamento do ídolo de fama global.

O zagueiro islandês Kari Arnason rebateu a fala do português, e ainda aproveitou a chance para provocá-lo. "O resultado fica até mais saboroso quando vemos que ele é um mau perdedor. Claro que ele pode dizer o que quiser. Ele quase não teve chances hoje. Teve uma, no fim do jogo, e não conseguiu fazer. O que posso dizer? É um mau perdedor", comentou ao final da partida.

Cristiano foi, com justiça, duramente criticado em publicações europeias por seu comportamento. O jornal alemão Bild definiu o jogador do Real Madrid como "o vaidoso mais arrogante do mundo".

Mesmo depois de perder um pênalti na segunda rodada, contra a Áustria, e mais uma vez passar em branco na competição, o gajo não questionou seu próprio desempenho, descrevendo o insucesso como obra do azar. "Quem tenta sempre alcança, temos de acreditar que ainda é possível, as pessoas e os simpatizantes de Portugal têm de acreditar, o mal não dura para sempre, tenho que acreditar nisso", foi o que disse, dessa vez.

O discurso de Ronaldo não combina com sua história riquíssima e inspiradora. Do garoto extremamente dedicado que saiu da Ilha da Madeira para o mundo, encantando a todos com seu futebol vistoso.

Ele hoje parece ter se tornado refém dos próprios feitos, um jogador egoísta e cheio de melindres, que se leva a sério demais e não admite as próprias falhas.

Por fim, John Carling, jornalista inglês, foi além e, tendo como base o recente filme sobre a trajetória de Cristiano, fez uma análise mais profunda sobre a vida do craque. E que, infelizmente, não poderia defini-lo melhor. "Um desses poucos [amigos] é Jorge Mendes, seu agente, que é visto no documentário em um discurso em um jantar privativo com Ronaldo e amigos no qual enaltece com a efusão de um bufão as virtudes de seu cliente predileto, o que mais lucro lhe rendeu. Uma pessoa normal teria dado um tapa na cara de Mendes, interpretando seus elogios como zombarias. Ronaldo os aceitou com a naturalidade literal e solene de quem se crê um deus. Coitado. Sob esse corpo de Adônis superstar o que há é, efetivamente, um moleque malcriado afável. Teve tanta sorte na vida, e tanto azar também."

Alterado: Segunda, 20 Junho 2016 11:16

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