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O Mané Garrincha é um estádio seguro, sim!

por   em Editorial

A confusão do último domingo durante a partida entre Flamengo e Palmeiras não é culpa do estádio, é das torcidas organizadas

Destaque O Mané Garrincha é um estádio seguro, sim! Divulgação
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Na quarta-feira (8), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva interditou o estádio Mané Garrincha com a justificativa de que ele não fornece a segurança necessária para sediar partidas de futebol. A ação aconteceu por um pedido da procuradoria do órgão após a pancadaria que aconteceu entre os torcedores do Flamengo e do Palmeiras no último domingo.

No intervalo da partida entre o Rubro-Negro e o Alviverde, a organizada paulista saiu da área destinada a ela e deliberadamente foi até o setor onde estavam os torcedores cariocas para provocar um conflito. Prontamente a polícia controlou a confusão utilizando gás de pimenta, o que causou o atraso no reinício do jogo em 12 minutos, de acordo com a súmula do árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva.

A reforma do Mané Garrincha custou cerca de R$ 1,7 bilhão e será que mesmo assim o estádio não fornece a segurança necessária para a realização de uma partida de futebol?

Claro que fornece! O problema não é o estádio, são as pessoas que o frequentam. Há tempos o futebol brasileiro enfrenta o mesmo problema com as torcidas organizadas, mas é difícil achar clubes e instituições públicas que imponham respeito sobre estas organizações criminosas.

Depois da confusão em Brasília, o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, disse uma coisa muito importante: os integrantes de torcidas organizadas torcem primeiro para as próprias torcidas, não para os clubes que elas dizem representar.

Isso fica claro ao ver o quanto elas prejudicam deliberadamente os times. Todos sabem que se um estádio for depredado ou se uma briga acontecer nas arquibancadas, quem sofrerá sansões do STJD são os clubes. Mandos de campos perdidos, multas, reformas e até interdições, tudo isso acaba pesando no bolso e no desempenho das equipes.

Em São Paulo, os primeiros passos estão sendo dados. Depois do clássico entre Palmeiras e Corinthians, os vários conflitos entre as torcidas espalhadas pela capital paulista e a consequente morte de um homem inocente, a Secretaria Estadual de Segurança Pública resolveu agir. Até o final do ano, nenhuma torcida organizada poderá entrar uniformizada ou com artifícios que as identifique em estádios de São Paulo.

Ótima determinação.

O problema é que agora todos os clássicos paulistas também acontecerão com torcida única. Aí quem sofrem são os verdadeiros fãs. Pessoas que se dirigem aos estádios única e exclusivamente para ver seus times jogarem. Até porque, o cara que tem um pouquinho de consciência e educação sabe que o adversário não é inimigo.

A partir do momento em que as diretorias dos clubes pararem de fornecer ingressos grátis e locomoção para as organizadas e o governo intervir de maneira incisiva sobre estas organizações, o Mané Garrincha será um dos estádios mais seguros do mundo para se assistir uma partida de futebol.

Porém, enquanto as torcidas organizadas continuarem a existir, o estádio bilionário, tratado como legado da Copa, ainda será muito perigoso de se frequentar.

Alterado: Quarta, 08 Junho 2016 18:09

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