As expectativas da Copa América Centenário }

As expectativas da Copa América Centenário

por   em Editorial

Um ano após a edição no Chile, as seleções da América voltam a se enfrentar, mas em um cenário diferente

Destaque As expectativas da Copa América Centenário Reprodução/ Site Oficial
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Um ano após a conquista história da seleção chilena da Copa América, dentro do seu próprio país, as seleções sul americanas voltam a se enfrentar pelo mesmo torneio nos Estados Unidos, na edição centenária.

Alguma coisa mudou um ano após a conquista chilena?

Nesse pequeno período de tempo, muitas coisas aconteceram e se no ano passado a expectativa era para que acontecesse a melhor edição da Copa América de todos os tempos, com seleções fortes como há tempos não havia, neste ano as expectativas são bem mais modestas.

A começar pelos campeões do torneio. Foram várias as trocas na seleção chilena. Jorge Sampaolli entrou em atrito com a confederação e acabou deixando o cargo. Juan Antonio Pizzi assumiu o comando da seleção e mudou a equipe titular e o esquema tático do time. Se antes o Chile era uma seleção que impunha medo, hoje vem em baixa. Nos dois amistosos preparatórios para a Copa América decepcionou e perdeu para a fraca Jamaica em Viña del Mar e para o México.

A Colômbia que fez uma ótima Copa do Mundo de 2014 segue com dificuldades para reencontrar o bom futebol apresentado há dois anos. Principais estrelas do time, James Rodríguez e Cuadrado fizeram temporadas tímidas no Real Madrid e na Juventus. Mesmo com um time promissor, a seleção colombiana não empolga neste momento.

Se Chile e Colômbia tem uma geração que causa expectativas no torcedor, o Paraguai não tem a mesma perspectiva. Apesar de quase sempre conseguir avançar para a fase mata-mata, a seleção de Rámon Díaz é formada por atletas mais experientes, com um time pesado e pouco versátil.

O Uruguai tem uma grande novidade para esta edição. Luís Suárez cumpriu a suspensão após a mordida dada em Chiellini na Copa do Mundo e foi convocado para a Copa América. No entanto, o jogador sofreu uma lesão muscular na final da Copa do Rei da Espanha e tenta se recuperar a tempo para jogar ainda na primeira fase do torneio. Enquanto isso, Cavani segue sendo o protagonista da Celeste que desde a Copa de 2010 não consegue bons resultados.

A Argentina é a seleção mais forte desta competição e a franca favorita ao título. Porém, sofre com a pressão por passar tantos anos sem uma conquista (são 23 anos sem títulos) prejudica a equipe que apesar de ter um time invejável no papel, ainda não conseguiu mostrar o futebol que o torcedor espera. Fora isso, outro fator que atrapalha são as notícias extracampo. Com o governo tentando suspender as eleições da AFA, a seleção argentina pode até deixar a competição caso seja julgada mais rigorosamente, já que a FIFA não permite a intervenção do governo nas confederações.

Seleção sensação no início das Eliminatórias da Copa, o Equador está no grupo do Brasil e pela primeira vez receberá mais atenção dos demais pelo o que vem demonstrando neste último ano. Porém, a dúvida sobre a equipe é grande já que o Equador irá jogar em um território neutro (e sempre com a torcida contra), em uma competição bastante diferente das eliminatórias.

Osório chegou ao México no final de 2015 e é uma das gratas surpresas para esta Copa América. Com um retrospecto perfeito, com sete vitórias nos sete jogos no comando da seleção Asteca e sem levar nenhum gol sequer, o México tenta surpreender e pode ser a pedra no sapato de muitas seleções consideradas favoritas, assim como a seleção da casa que tem um bom time e irá contar com o apoio do seu torcedor.

Por último a nossa seleção canarinho. Sem Neymar e com seis jogadores cortados antes do início da competição, o Brasil vem com um elenco que mistura juventude e experiência. Dunga ainda não conseguiu montar uma seleção competitiva e terá muitas dificuldades no torneio, já que não conseguiu fazer um treino completo com a equipe considerada titular. A expectativa não é das melhores e nem poderia. O Brasil não vai bem nas Eliminatórias da Copa e está longe de ser considerada favorita ao título da Copa América.

Com jogadores desgastados após mais um ano com pouco descanso, muitos atletas chegam para a Copa América em condições físicas fragilizadas, o que aumenta o risco das lesões, além de ser responsáveis por quedas na intensidade e qualidade do jogo.

Para os clubes brasileiros, toda competição que a seleção brasileira participa é uma dor de cabeça. Já que a CBF insiste em não conciliar o calendário nacional com os jogos da seleção (e muito menos com o calendário europeu), vários clubes ficarão desfalcados por mais de um mês, em pleno Brasileirão. Isso sem falar nas Olímpiadas...

Pensando sempre no dinheiro, a Conmebol pecou por não prezar a qualidade do espetáculo. Ao fazer dois torneios iguais com apenas um ano de diferença, os prejudicados são os clubes e os jogadores que ano após ano sofrem cada vez mais com a intensidade e o número de jogos realizados durante a temporada.

Em meio as Eliminatórias da Copa do Mundo e com o Chile já classificado para a Copa das Confederações do ano que vem na Rússia, a edição centenária da Copa América virou competição vazia, “sem motivo” para ser realizada – se restringindo somente a data comemorativa.

A Conmebol perdeu a oportunidade de fazer a maior Copa América de toda história quando não unificou o torneio realizado no Chile com a edição centenária. Com apenas uma competição, agregando tudo o que poderia ser oferecido, as motivações seriam inúmeras para as seleções, deixando o torneio muito mais atrativo do que ele realmente será.

Alterado: Sábado, 04 Junho 2016 11:36

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