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Uefa Champions League: vencedores e vencidos

por   em Editorial

O futebol não é justo e talvez seja essa a sua principal virtude

Destaque Ronaldo é mais uma vez um herói que pouco decidiu Reprodução ; The Telegraph Ronaldo é mais uma vez um herói que pouco decidiu
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Em sua coluna no último sábado, a respeito da final da Liga dos Campeoes da Europa, o blogueiro do UOL Rodrigo Mattos aponta para um detalhe fundamental que, vez ou outra, nos passa despercebido. "Futebol não tem nada a ver com justiça", escreveu. "O Real Madrid ganhou pela 11a. vez porque é um time, com méritos e escolhido pelo destino". Destino esse em que os chamados "Deuses do Futebol" não cansam jamais de nos pregar peças.

"A bola pune", diria algum treinador brasileiro. "Aqui é trabalho, meu filho", apontaria o hoje combalido Muricy Ramalho. O fato é que este esporte no qual quem merece, muitas vezes não vence; e quem vence, via de regra, não merece; talvez nos encante justamente por isso. É realmente "uma caixinha de surpresas".

Zidane de um lado, Simeone do outro. Duas escolas e, mais do que isso, duas bandeiras dos seus clubes. Defendendo, cada um, sua própria visão de futebol que, no caso desses dois, vem desde o campo. De um lado, um ex-meia genial e genioso, carrasco do Brasil e multicampeão pelos clubes que defendeu e pela seleção francesa. Do outro lado do ringue imaginário, um meia genioso, raivoso. Um hermano que deu a vida e o sangue por seus clubes e pela talentosa e pouco vencedora seleção argentina que defendeu.

O gol ilegal, o pênalti perdido. A rivalidade de toda uma cidade, transportada para uma outra nação. Os craques, dentro e fora de campo. Da mesma forma, os carregadores de piano. O imponderável, sempre presente. A bola, que é redonda e não pode ser tocada com as mãos pela grande maioria dos atletas. Sua trajetória, por si mesma errante, ainda tem de levar em conta fatores externos, como o vento, a pressão, a umidade relativa do ar etc.

Ainda a pressão que se cria em torno do próprio espetáculo, afinal se trata de uma revanche, de um rival, de um palco e uma oportunidade únicos. Uma chance de se mostrar que o resultado da outra final foi obra do acaso, dos acréscimos, do próprio medo de vencer, quem sabe. Ou que existem os fadados a ser vencedores e os que nunca deixarão de ser os vencidos. Mas não houve vencedor, o jogo ficou empatado. Nos cruéis 30 minutos que se seguiram também não tivemos desempate. Todos exaustos, temerosos, imaginando se um desfecho favorável é viável.

Pois a cruelíssima decisão por penalidades nos coloca mais uma vez frente à velha pergunta. O que é justiça no futebol? Dinheiro, dedicação? Talento ou tática? Fé? Sorte?

São perguntas que, para o bem do futebol, permanece e permanecerá sem resposta.

Alterado: Terça, 31 Maio 2016 10:14

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