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Uma vitória dos clubes

por   em Editorial

Competição ainda não está no formato ideal, mas foi um sucesso entre torcedores e deve ser repensada para as próximas edições.

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Fluminense e Atlético-PR entram em campo na noite desta quarta-feira (20), para decidir quem será o campeão da Primeira Liga. Mas, independente do clube que levantar a taça, todos os clubes saem vencedores do torneio.

E são todos mesmo, não apenas os participantes.

Eles saem fortalecidos pelo simples fato de terem peitado a CBF e as federações e organizado um campeonato com times de alto nível, sem precisar da benção dos, outrora, “poderosos” do futebol brasileiro. Os dois clubes cariocas, Flamengo e Fluminense, mesmo correndo riscos de serem prejudicados pela FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), resolveram jogar a competição e foram muito bem, garantindo a classificação na fase de grupos e com o Tricolor das Laranjeiras chegando até a final.

Os clubes dos outros estados (Minas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), embora não tenham enfrentado grandes dificuldades com suas respectivas federações, também não tiveram a vida facilitada. O calendário não previa muitas datas para encaixar as partidas da Primeira Liga e alguns jogos tiveram que ser remarcados e teve partida que valeu para duas competições, a regional e a estadual, como foi o caso do clássico gaúcho entre Inter e Grêmio.

Lógico que a Primeira Liga não foi perfeita. Existiram muitos desacertos ao longo da competição. Começando, exatamente, pela partida válida por dois campeonatos. Um campeonato que quer se consolidar tem que criar mística, encanto, nas partidas disputadas, ainda mais se tratando de uma competição de “tiro curto”, com, no máximo, cinco jogos por clube. É compreensível que, como já falado antes, a falta de datas disponíveis tenha forçado esta situação, ainda mais com o Grêmio envolvido também na disputa da Taça Libertadores da América. É uma coisa a ser resolvida numa eventual segunda edição da Primeira Liga, uma maior importância às partidas.

Outro ponto que deve ser resolvido é o número de clubes e datas disponíveis. Poderiam aumentar para 16 ou 20 equipes, com os estados com um número definido de vagas para distribuir entre os clubes. O formato deste ano, com três jogos na fase de grupo, um jogo na semifinal e um jogo na final, não foi o ideal. O Atlético-PR, por exemplo, é finalista da competição e jogou apenas uma partida em sua casa, a Arena da Baixada. É preciso repensar a Primeira Liga, com mais datas, jogos de semifinal e final em ida e volta, pra atrair mais público e renda para os clubes.

Um terceiro ponto a se abordar é, justamente, o da final. O jogo mais importante será disputado em uma cidade neutra, Juiz de Fora, que não é casa de nenhuma das equipes que disputaram a competição. A culpa não é das equipes envolvidas, já que o Maracanã não pode ser utilizado, e o mando é do Fluminense. A mesa diretora da Primeira Liga poderia ter previsto a possibilidade de um dos dois cariocas chegar até a final e fazer um acordo para que o jogo fosse no principal estádio do país, ou, até mesmo, promover a final em um estádio neutro, sem vantagem para nenhuma equipe, tal qual os moldes das competições europeias.

Mas o principal é que, mesmo com todos esses pequenos detalhes, a competição saiu. E com a disputa, fez tremer a CBF. A Confederação Brasileira não queria, de maneira nenhuma, que os clubes se reunissem em um campeonato único, que pode, daqui há algum tempo, fazer frente ao Campeonato Brasileiro. Diferente da Copa do Nordeste e da Copa Verde (que reúne equipes do norte e do centro-oeste brasileiro), a Primeira Liga envolve times de estados considerados chave no cenário futebolístico brasileiro. Minas, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro contam com times que já venceram Libertadores e Mundiais. O Paraná tem suas duas principais equipes no panteão principal já há alguns anos. Santa Catarina vem se destacando também, com quatro equipes tendo disputado o Brasileirão de 2015.

Ou seja, a CBF sabe que a Primeira Liga tem poder de fogo para brigar pelos principais patrocinadores do futebol brasileiro e, quem sabe, desbancar a competição da CBF. Por isso, as 12 equipes já devem se considerar vencedoras, afinal de contas, botar medo em um covil de lobos não é para qualquer um.

Alterado: Quarta, 20 Abril 2016 16:52

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