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Fantasma do 7 x 1 ainda ronda a Seleção Brasileira

por   em Editorial

Seleção Brasileira empatou com o Paraguai de maneira dramática. Time ainda sofre com dependência de Neymar.

Destaque Fantasma do 7 x 1 ainda ronda a Seleção Brasileira Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
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Foi um empate sofrido, em um jogo ruim, duro de assistir. O roteiro foi o inverso do que aconteceu em Recife, quando o Brasil saiu na frente e sofreu o empate. Mas, diferente do Uruguai, a Seleção Brasileira não mostrou raça e garra. Faltou a vibração dos jogadores em campo.

E já faz muito tempo que é assim. Talvez ainda seja o reflexo dos 7 x 1 sofrido perante a Alemanha, na Copa. Difícil dizer se é só isso. Até na Copa a Seleção não vinha fazendo grandes partidas. Era no sofrimento, no embalo, na qualidade técnica de alguns jogadores.

A única coisa que se pode afirmar é que aquele 7 x 1 foi um divisor de águas para o futebol brasileiro. Mas, ao invés de tirar uma lição e melhorar a partir dali, como a mesma Alemanha fez quando perdeu a Copa de 2002, as medidas tomadas foram no sentido contrário.

E Dunga voltar a dirigir a Seleção Brasileira foi uma das marcas do retrocesso. O alegado, na época, é que, com o técnico gaúcho, os jogadores seriam mais disciplinados, não teriam tantas liberdades quando estivessem na concentração e se preocupariam, de fato, em jogar futebol e não com cabelo, chuteiras ou patrocinadores. A ideia era ótima. A Seleção precisava de um sacode nesse sentido, de um choque de realidade. Só esqueceram que Dunga nunca foi um jogador (e repete agora como técnico) que buscava soluções.

Ele foi um volante excepcional, sem sombra de dúvidas, mas primava mais pelo resultado. O ideal dele era brigar pela bola, entrar duro nos adversários. Dessa maneira podem ser ganhos alguns jogos, contra adversários mais ríspidos. Mas para ganhar campeonatos, copas e afins é preciso estar em constante evolução, mudar o estilo de jogo. Isso não está ocorrendo. Os adversários sabem como o Brasil vai jogar e armam os esquemas para derrotar os brasileiros.
Dunga, aliás, deve agradecer Daniel Alves. Não fosse pelo gol do lateral, possivelmente o técnico estaria na fila dos desempregados hoje.

Como diria Galvão Bueno, não existe mais bobo no futebol. Eles aprenderam a derrotar a Seleção Canarinho.

Outro ponto crucial para que a Seleção Brasileira volte a jogar com vibração é desfazer a dependência extrema que tem do Neymar. O jogador do Barcelona é, indiscutivelmente, um grande craque e já está entre os maiores da atualidade. Mas o Brasil não pode depender única e exclusivamente de um jogador. É nítido o descontentamento em campo quando ele não está presente. Na Copa de 2014 então beirou ao ridículo. Jogadores entrarem com a camisa dele e usarem, a todo o momento, a frase “Força Neymar”, não pegou bem.

Os outros jogadores da Seleção tem que lembrar que jogam por uma nação, ou seja, existem 200 milhões de pessoas que esperam que eles representem de maneira digna o país. Eles não são um selecionado de amigos do Neymar.

O Brasil tem que superar a dependência de apenas um jogador. Tem que jogar como conjunto. Em 1962, no Chile, perdemos o maior de todos os tempos. Pelé se lesionou e ficou fora do restante da Copa. E o que aconteceu? Outros jogadores assumiram o protagonismo, como Garrincha.

Enquanto a Seleção Brasileira insistir em continuar com Dunga, com o seu futebol burocrático, apático e esperar que Neymar decida as coisas, o torcedor brasileiro vai continuar sofrendo. É preciso uma mudança radical, no pensamento e na condução da equipe. Talvez seja a hora de cortar, de vez, o vínculo com 2014. Esquecer-se de alguns jogadores que usaram a camisa verde e amarela naquela competição. Esquecer-se de convocar jogadores que atuam nas periferias do futebol.

Alguns grupos, contrários a realização da Copa de 2014 no Brasil, usavam um bordão muito forte, mas que cabe no atual momento do selecionado brasileiro. Se as coisas continuarem dessa maneira, em 2018 NÃO VAI TER COPA!, pelo menos pra Seleção!

Alterado: Quarta, 30 Março 2016 12:50

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